Diáspora venezuelana busca familiares por chat e vela mortos por streaming após terremotos
Diáspora venezuelana busca familiares e vela mortos online

Após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho, a diáspora venezuelana, a maior da América Latina com quase 8 milhões de pessoas vivendo no exterior, enfrenta o desafio de buscar notícias de familiares e velar seus mortos à distância. Sem condições de retornar ao país, muitos recorrem a grupos de chat e transmissões ao vivo para manter contato e se despedir de seus entes queridos.

Busca angustiante por familiares desaparecidos

María Pessina, que vive no Equador, encontrou-se em uma busca angustiante por sua mãe após os terremotos. Sem conseguir contato telefônico, ela passou horas em grupos de WhatsApp e redes sociais, até que uma foto enviada por um vizinho confirmou a morte de sua mãe. "Foi a pior notícia que poderia receber, mas ao menos tive certeza", disse María em entrevista à agência de notícias.

Assim como María, milhares de venezuelanos espalhados pelo mundo dependem de relatos de amigos e familiares que ainda estão no país para obter informações sobre desaparecidos. A comunicação é dificultada pela falta de energia elétrica e internet em várias regiões atingidas.

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Velórios por streaming se tornam alternativa

Com a impossibilidade de viajar, muitos venezuelanos no exterior têm participado de velórios e funerais por meio de transmissões ao vivo. Plataformas como Facebook Live e YouTube são usadas para que parentes possam acompanhar as cerimônias e se despedir simbolicamente. "Não pude estar presente, mas ver o caixão sendo enterrado me deu um pouco de paz", relatou Carlos Mendoza, que vive na Espanha.

Segundo dados da ONU, a diáspora venezuelana é uma das maiores do mundo, e a crise humanitária agravada pelos terremotos torna o retorno inviável para a maioria. Equipes de resgate internacionais, como a enviada pela Jordânia, atuam em áreas como Caraballeda, no estado de La Guaira, o mais atingido, mas os trabalhos são lentos.

Impacto emocional e solidariedade à distância

Especialistas apontam que a impossibilidade de estar presente em momentos de luto agrava o sofrimento dos migrantes. "A distância física intensifica o trauma, e o uso de tecnologia é uma tentativa de amenizar a dor", explicou a psicóloga Ana Torres, da Universidade Central da Venezuela. Grupos de apoio online têm surgido para oferecer suporte emocional.

A situação também mobiliza comunidades venezuelanas no exterior para arrecadar fundos e enviar ajuda humanitária. Apesar das dificuldades, a solidariedade se mantém como um pilar para enfrentar a tragédia.

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