Crise no Haiti: ONU alerta que gangues recrutam crianças e metade da população passa fome
Crise no Haiti: metade da população passa fome e gangues recrutam crianças

O Haiti enfrenta a crise mais grave do hemisfério ocidental, alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante visita ao país caribenho. Segundo ele, a situação global só é pior no Sudão e nos Territórios Palestinos. A violência das gangues, que aterrorizam a população, já forçou 1,5 milhão de pessoas a fugirem para o interior e deixou mais da metade dos 11,7 milhões de habitantes dependendo de ajuda humanitária para se alimentar.

Violência e recrutamento de crianças

Guterres destacou que a violência produziu 2.300 mortos apenas neste ano. Em 2024, o Haiti liderou o mundo em homicídios, segundo a ONG Igarapé. Mais de 20 mulheres e meninas são agredidas por dia, e o número de crianças recrutadas por gangues triplicou. "Agora um em cada dois membros das gangues é uma criança", afirmou.

Indiferença internacional

O chefe da ONU criticou a "indiferença" da comunidade internacional. O plano de resposta da ONU para o Haiti é o menos financiado, com apenas 24% dos 880 milhões de dólares arrecadados. "O Haiti não pede caridade, mas que o mundo cumpra sua palavra", declarou Guterres.

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Força de repressão às gangues

A Força de Repressão de Gangues (GSF), aprovada pela ONU, oferece uma possibilidade real de conter a violência, segundo Guterres. Até agora, Jamaica, Chade, El Salvador e Guatemala enviaram menos de mil soldados. Guterres cobrou a participação de países desenvolvidos: "Não vejo os países desenvolvidos contribuírem".

Sem eleições desde 2016

O Haiti não realiza eleições desde 2016. O último presidente, Jovenel Moïse, foi assassinado em 2021. A crise de segurança se agravou em 2024, forçando a renúncia do primeiro-ministro não eleito. O país é vulnerável ao tráfico de armas, munições e drogas, devido a suas extensas fronteiras e portos. As gangues dominam cadeias de suprimentos e extorquem rotas comerciais, desviando recursos e desestabilizando a economia.

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