O mercado de ações asiático foi abalado nesta terça-feira por um forte movimento de vendas que derrubou o índice Kospi da Coreia do Sul em 11%, levando à suspensão temporária das negociações. O tombo foi liderado por ações do setor de semicondutores, que enfrentam uma nova onda de preocupações com demanda global e restrições comerciais.
Queda generalizada na Ásia
O Kospi não foi o único afetado. Outros mercados da região também registraram perdas significativas: o Nikkei do Japão recuou mais de 5%, o Hang Seng de Hong Kong caiu 4% e o CSI 300 da China continental fechou em baixa de 3,5%. O sell-off foi desencadeado por relatos de que grandes clientes de chips, como fabricantes de smartphones e data centers, estão reduzindo pedidos, sinalizando uma desaceleração na demanda.
Setor de chips sob pressão
As ações da Samsung Electronics, maior empresa da Coreia do Sul, caíram 12%, enquanto a SK Hynix despencou 15%. Nos Estados Unidos, a Nvidia e a AMD também sofreram quedas no pré-mercado, ampliando o temor de que a bolha de inteligência artificial possa estar se desinflando. Segundo analistas, a correção era esperada após meses de valorização excessiva, mas a magnitude surpreendeu.
Suspensão e impacto no mercado
A bolsa da Coreia do Sul ativou o mecanismo de “circuit breaker” por 20 minutos após a queda abrupta, a primeira suspensão desde a crise de 2008. O Banco da Coreia emitiu uma declaração afirmando que monitora de perto os mercados e está preparado para intervir se necessário. Investidores migraram para ativos seguros, como o iene e o ouro, que subiram 2% no dia.
Perspectivas e riscos
Especialistas apontam que a crise nos chips pode se aprofundar se as tensões comerciais entre EUA e China se intensificarem. O governo americano estuda novas restrições à venda de tecnologia para a China, o que afetaria diretamente empresas asiáticas. “O mercado está precificando um cenário mais pessimista para o segundo semestre”, afirmou um estrategista do JPMorgan em Hong Kong.
O índice Kospi acumula queda de 18% no ano, e a volatilidade deve continuar enquanto não houver clareza sobre a trajetória da demanda. A temporada de balanços do segundo trimestre, que começa na próxima semana, será crucial para definir o rumo do setor.



