O governo chinês afirmou nesta quinta-feira que os Estados Unidos devem restaurar imediatamente o status especial de Hong Kong para fins comerciais, após Washington impor tarifas elevadas sobre produtos da região administrativa especial. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, durante coletiva de imprensa regular em Pequim.
EUA impõem tarifas de 120% sobre produtos de Hong Kong
Na quarta-feira, o governo norte-americano anunciou a imposição de tarifas de 120% sobre importações originárias de Hong Kong, justificando a medida como resposta a supostas violações de direitos humanos e falta de autonomia da região. A decisão elevou significativamente as taxas anteriormente aplicadas, que eram de 25% para a maioria dos produtos.
De acordo com Wang Wenbin, a ação dos EUA viola as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prejudica os interesses comerciais legítimos de ambas as partes. "A China expressa forte insatisfação e oposição resoluta a essas tarifas injustas e irracionais. Exigimos que os EUA restaurem imediatamente o tratamento preferencial de Hong Kong e parem de interferir nos assuntos internos da China", declarou o porta-voz.
Impacto econômico e relações bilaterais
Hong Kong, que desde 1997 opera como região administrativa especial da China, gozava de status comercial distinto sob a legislação dos EUA, o que permitia tarifas reduzidas e tratamento diferenciado. O novo imposto de 120% deve afetar setores como eletrônicos, vestuário e joias, que representam grande parte das exportações de Hong Kong para os EUA. Em 2025, o comércio bilateral entre Hong Kong e EUA totalizou US$ 65 bilhões, segundo dados do governo de Hong Kong.
Analistas apontam que a medida pode elevar os preços para consumidores americanos e pressionar cadeias de suprimentos globais. "A imposição de tarifas tão altas cria incerteza para empresas que usam Hong Kong como centro logístico e financeiro", afirmou Liu Yiqian, professor de economia da Universidade de Pequim. "A longo prazo, pode levar à realocação de investimentos para outros hubs na Ásia, como Singapura", complementou.
Reação internacional e próximos passos
A China já anunciou que tomará "contramedidas necessárias" para proteger seus interesses, mas não detalhou quais ações serão adotadas. O governo chinês também convocou o embaixador dos EUA em Pequim para protestar formalmente contra as tarifas. A União Europeia e outros parceiros comerciais manifestaram preocupação com a escalada da disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo.
O porta-voz Wang Wenbin reiterou que a China defende firmemente o princípio de "um país, dois sistemas" e que Hong Kong continuará sendo uma parte inalienável do país. "Qualquer tentativa de minar a prosperidade e estabilidade de Hong Kong está fadada ao fracasso", concluiu.



