Brasileiros mortos e desaparecidos na guerra da Ucrânia
O número de brasileiros mortos no conflito entre Ucrânia e Rússia mais que dobrou nos últimos seis meses, passando de 16 em dezembro para 33 atualmente, de acordo com dados atualizados do Itamaraty obtidos pelo GLOBO. No mesmo período, a quantidade de desaparecidos saltou de 41 para 86, um aumento de mais de 100%.
Em fevereiro deste ano, os números eram de 23 mortos e 44 desaparecidos, o que já indicava uma tendência de alta. Agora, os novos registros confirmam a escalada de baixas entre cidadãos brasileiros envolvidos no conflito.
Caso emblemático de Herik Ferreira Soares
Um dos casos mais recentes é o de Herik Ferreira Soares, brasileiro que apareceu em um vídeo após ser capturado por forças russas na Ucrânia. Segundo relato, ele foi enviado à linha de frente após uma falsa promessa de trabalho. O vídeo, reproduzido pelo GLOBO, mostra o brasileiro afirmando que foi enganado por recrutadores.
O Itamaraty alerta que muitos brasileiros são aliciados por promessas de altos salários e acabam sendo enviados para zonas de combate sem treinamento adequado. A recomendação do órgão é que cidadãos evitem qualquer envolvimento com o conflito e busquem informações oficiais antes de aceitar propostas de trabalho no exterior.
Dificuldades de assistência consular
O Ministério das Relações Exteriores enfrenta desafios para prestar assistência aos brasileiros na região, devido à falta de acesso a áreas controladas por forças russas e à burocracia local. Muitos desaparecidos estão em territórios de difícil acesso, o que dificulta a confirmação de suas situações.
O Itamaraty reforça que não há registro oficial de brasileiros lutando como mercenários, mas admite que cidadãos podem ter se alistado voluntariamente ou sido coagidos. A orientação é que familiares de desaparecidos entrem em contato com a embaixada em Kiev ou com o consulado em Moscou.
Contexto do conflito
A guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, já causou dezenas de milhares de mortes e deslocou milhões de pessoas. O envolvimento de estrangeiros, incluindo brasileiros, tem sido documentado por organizações internacionais, que alertam para os riscos de recrutamento irregular.
O aumento no número de brasileiros mortos e desaparecidos reflete a intensificação dos combates nos últimos meses, especialmente nas regiões de Donetsk e Luhansk. O Itamaraty mantém um canal de atendimento para brasileiros na Ucrânia e recomenda que todos deixem o país o mais rápido possível.



