BlackRock reduz exposição a emergentes, mas mantém otimismo seletivo no Brasil
A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, cortou sua recomendação para ações de mercados emergentes, citando riscos globais como juros altos nos Estados Unidos e desaceleração da China. No entanto, a gestora ressaltou que o Brasil continua sendo uma exceção positiva, com 'megaforças' estruturais que podem gerar retornos acima da média.
De acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (2), a BlackRock reduziu a exposição a emergentes de 'overweight' (acima da média) para 'neutral' (neutro). A decisão foi motivada pelo aperto monetário global e pela valorização do dólar, que pressionam economias dependentes de capital externo.
Brasil se destaca com 'megaforças'
Apesar do corte geral, a BlackRock manteve uma visão positiva para o Brasil, citando 'megaforças' como transição energética, digitalização e reformas estruturais. O país é visto como um dos poucos emergentes com fundamentos sólidos para atrair investimentos de longo prazo.
“O Brasil oferece oportunidades únicas em setores como energia limpa, agronegócio e tecnologia”, afirmou o relatório. A gestora destacou ainda que a inflação controlada e a queda da Selic criam um ambiente favorável para ativos de risco.
Impacto no mercado e recomendações
A mudança na recomendação da BlackRock pode influenciar fluxos de capital para fundos passivos e ETFs que acompanham índices de emergentes. No Brasil, a B3 registrou entrada de R$ 33,8 bilhões de estrangeiros no primeiro semestre, mas junho teve saída líquida de R$ 7,8 bilhões.
Para investidores locais, a BlackRock sugere foco em ações de empresas expostas às 'megaforças', como setor elétrico, tecnologia e infraestrutura. A gestora também recomenda cautela com commodities, devido à desaceleração chinesa.



