Ave raríssima é redescoberta na Indonésia após quase um século
Ave raríssima redescoberta na Indonésia após 90 anos

O lóri-de-Buru (Charmosyna toxopei), também conhecido como lóri-de-testa-azul, foi redescoberto em uma região montanhosa da ilha de Buru, na Indonésia, renovando as esperanças para a conservação de uma das aves mais raras do mundo. Antes do registro recente, a espécie era conhecida apenas por sete exemplares coletados na década de 1920 e por um registro fotográfico obtido em 2014.

Expedição ao Monte Kapalatmada

O animal foi fotografado durante uma expedição realizada em abril de 2026 nas áreas mais altas do Monte Kapalatmada. Os pesquisadores também conseguiram gravar, pela primeira vez, os chamados da espécie na natureza. O lóri integra uma lista internacional de "espécies perdidas" — espécies conhecidas pela ciência que permaneceram mais de uma década sem registros documentados na natureza, embora não sejam consideradas oficialmente extintas.

A redescoberta foi anunciada por organizações internacionais de conservação. A ave é encontrada apenas na ilha de Buru, no arquipélago das Molucas, e sempre foi considerada uma das espécies mais difíceis de localizar da Indonésia. Descrito pela ciência a partir de sete exemplares coletados na década de 1920, o lóri desapareceu dos registros científicos por quase 90 anos. A única evidência moderna de sua existência havia sido uma fotografia obtida em 2014 durante uma expedição de observação de aves.

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Registros inéditos

A nova expedição confirmou que a espécie continua sobrevivendo nas florestas montanas da ilha. Segundo os pesquisadores, a equipe registrou pelo menos nove avistamentos da espécie ao longo da expedição. A equipe também obteve novas fotografias e realizou o primeiro registro sonoro conhecido da espécie.

A expedição percorreu durante duas semanas uma das regiões mais isoladas da ilha. O grupo enfrentou paredões de calcário, encostas íngremes, vegetação densa, ausência de fontes de água e trechos sem trilhas até alcançar as áreas de floresta nublada onde o papagaio vive. O acesso só foi possível porque montanhistas locais haviam mapeado recentemente uma rota até o ponto mais alto do Monte Kapalatmada.

Esperança para a conservação

Segundo John Mittermeier, diretor do programa Search for Lost Birds, da American Bird Conservancy, a equipe acreditava que a espécie poderia ocupar áreas de altitude que nunca haviam sido pesquisadas de forma adequada. Os pesquisadores acreditam que a espécie sempre ocupou as florestas montanas da ilha, mas essas áreas permaneceram praticamente inacessíveis até que montanhistas locais abrissem uma nova rota de acesso ao Monte Kapalatmada. A hipótese acabou se confirmando.

Apesar da redescoberta, ainda se sabe muito pouco sobre o lóri-de-Buru. Os pesquisadores não conhecem o tamanho da população, a área ocupada pela espécie nem as principais ameaças à sua sobrevivência. A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica atualmente a ave como Dados Insuficientes (Data Deficient), justamente pela falta de informações sobre sua distribuição e abundância.

Ameaças e próximos passos

Especialistas alertam que as florestas da ilha sofrem pressão do desmatamento, além da caça e da captura ilegal de aves, o que reforça a necessidade de novas pesquisas e medidas de conservação. O lóri-de-Buru integra a iniciativa internacional Search for Lost Birds, que reúne espécies conhecidas pela ciência, mas que permaneceram décadas sem registros confirmados na natureza. Isso não significa necessariamente que esses animais tenham sido extintos. Em muitos casos, eles sobrevivem em áreas remotas, pouco exploradas ou de difícil acesso, como ocorreu com o lóri encontrado nas montanhas de Buru.

Para os pesquisadores, localizar essas espécies representa o primeiro passo para compreender sua ecologia e definir estratégias capazes de garantir sua conservação. A descoberta também reforça que regiões ainda pouco estudadas podem guardar populações importantes de animais considerados extremamente raros ou até desaparecidos.

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