O Bradesco BBI identificou uma redução generalizada do apetite por risco entre investidores locais e estrangeiros na América Latina, mas ressaltou que o movimento está longe de representar uma capitulação – quando investidores abandonam uma tese de investimento e promovem vendas generalizadas de ativos.
Segundo o banco, o sentimento em relação à região esfriou no terceiro trimestre em comparação com a pesquisa anterior, embora os investidores ainda mantenham exposição relevante ao Brasil e expectativa de desempenho superior dos mercados emergentes.
Brasil ainda é overweight, mas convicção cai
Apesar de o Brasil seguir com recomendação overweight (exposição acima da média de mercado), a convicção dos investidores diminuiu. O movimento se reflete em posições menores, maior cautela em relação ao risco e uma postura mais defensiva na alocação de recursos.
Nesse contexto, os investidores ampliaram a exposição aos setores financeiro e de utilities, enquanto reduziram posições em empresas ligadas ao consumo e em companhias mais sensíveis ao ciclo doméstico.
Eleições de 2026 viram principal foco
Segundo o relatório, as eleições presidenciais de 2026 passaram a ser o principal fator de atenção para os investidores, ofuscando temas como o ciclo de juros e a trajetória dos lucros corporativos. A maior parte dos entrevistados espera a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que mantém uma visão cautelosa em relação ao real.
Itaú lidera preferências; Vale é a menos favorecida
Segundo o relatório, o Itaú (ITUB4) aparece como a ação de grande capitalização preferida, enquanto Vale (VALE3) é a menos favorecida entre os grandes nomes. O consenso, porém, é menor entre outras companhias.
Investidores estrangeiros demonstram maior otimismo com o Nubank (BDR: ROXO34), enquanto investidores locais estão mais cautelosos com Petrobras (PETR4; PETR3). Entre as empresas mais citadas também aparecem Sabesp (SBP3) e BTG Pactual (BPAC11).
Small caps em destaque
Entre as small caps (empresa de baixa capitalização), C&A (CEAB3), Orizon (ORVR3), Smart Fit (SMFT3) e Pague Menos (PGMN3) foram os nomes que mais se destacaram entre os investidores consultados.
México volta ao radar, Chile perde espaço
O Bradesco BBI observa sinais de retomada do interesse pelo México, apesar da cautela em relação ao acordo comercial USMCA. O Grupo México atingiu o maior nível de preferência da pesquisa, enquanto o interesse pela Walmex caiu para os menores níveis.
A Argentina ampliou sua vantagem como mercado preferido entre os países menores, embora ainda seja considerada subvalorizada. Já o Peru ganhou espaço após o cenário político mais favorável, com a Credicorp como a ação preferida nos Andes.
Na contramão, o Chile perdeu atratividade, apesar de continuar com classificação sobreponderada (OW), enquanto a Colômbia apresentou apenas uma melhora moderada após as eleições.
Banco mantém visão otimista para o segundo semestre
O banco mantém uma visão contrária e otimista para a América Latina, destacando uma possível segunda oportunidade de valorização no segundo semestre, apoiada em valuations descontados, potenciais cortes de juros, eleições brasileiras e fatores globais favoráveis, como dólar e ciclo tecnológico.



