Uma testemunha flagrou um homem armado atirando contra pessoas na Cisjordânia, perto da aldeia palestina de Tal, a sudoeste de Nablus, nesta sexta-feira (24). O ataque deixou quatro palestinos e dois soldados israelenses mortos, em meio ao aumento dos ataques de colonos israelenses a aldeias palestinas.
Vídeo mostra homem armado disparando
O vídeo, que circula nas redes sociais, mostra um homem armado atirando em várias pessoas. As imagens, feitas à distância do alto de um morro, também mostram um veículo blindado que, segundo a agência de notícias Reuters, aparentemente pertence ao Exército de Israel. No áudio, ouve-se um homem falando em árabe: "Farouk, todos que estavam com ele foram baleados. Eles estão no campo".
Versões divergentes sobre o caso
O Exército israelense informou ter recebido relatos de que civis israelenses que faziam trilhas na região foram atacados perto da vila. Segundo a versão israelense, um palestino tomou a arma de um agente de segurança israelense do assentamento vizinho de Havat Gilad e abriu fogo, ferindo vários israelenses antes de ser morto. Mais tarde, anunciou ter neutralizado o autor do ataque e recuperado a arma roubada, e que ainda busca localizar possíveis cúmplices.
Já as autoridades palestinas locais disseram que um grande grupo de colonos israelenses tentou invadir duas casas e foi confrontado por moradores da vila. Segundo o presidente do conselho local de Tal, Walid Zidan, o grupo era formado por 20 pessoas, e soldados israelenses juntaram-se a eles e dispararam contra palestinos.
Vila fica na Área A da Cisjordânia
A vila de Tal fica na chamada Área A da Cisjordânia, que está sob controle civil e de segurança da Autoridade Palestina. A entrada de israelenses é oficialmente proibida, mas os confrontos entre palestinos e colonos de Israel está cada vez maior.
Israel anuncia operação antiterrorista
Horas após o anúncio das mortes, as Forças Armadas israelenses anunciaram que estão preparando uma operação na Cisjordânia "para uma ampla atividade antiterrorista". De acordo com a agência de notícias AFP, todas as estradas e postos de controle foram fechados no norte da Cisjordânia, e reforços militares foram enviados para a área.
Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu que agirá "com firmeza contra os terroristas" e anunciou "uma série de medidas", incluindo incursões em aldeias palestinas suspeitas de abrigar militantes, além de "acelerar a legalização de postos avançados agrícolas e o estabelecimento de novos" — os chamados assentamentos.
Assentamentos são ilegais perante o direito internacional
Como a Cisjordânia é uma área governada pela Autoridade Palestina e os palestinos consideram a região parte de seu Estado, todos os assentamentos israelenses são ilegais aos olhos do direito internacional.
Números de mortos e feridos em 2023
Segundo dados da Autoridade Palestina, 87 palestinos foram mortos na Cisjordânia este ano, incluindo 21 mortos por colonos israelenses. Números das Nações Unidas indicam que cerca de 850 palestinos ficaram feridos em ataques de colonos israelenses desde o início do ano.



