O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (28) um decreto que cria um grupo de trabalho interministerial com o objetivo de destravar as negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul. A medida foi anunciada durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, com a presença dos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Economia, Fernando Haddad.
Negociações paradas há mais de 10 anos
As tratativas entre o bloco sul-americano e o país asiático tiveram início em 2010, mas nunca avançaram para uma conclusão. Segundo dados do Ministério da Economia, o potencial de crescimento do comércio bilateral é estimado em US$ 5 bilhões adicionais anuais. Atualmente, a corrente de comércio entre o Mercosul e a Coreia do Sul gira em torno de US$ 12 bilhões por ano.
O grupo de trabalho será coordenado pelo Itamaraty e contará com representantes dos ministérios da Economia, Agricultura, Indústria e Desenvolvimento. O prazo estabelecido para que a equipe apresente um relatório com recomendações é de 120 dias.
Entraves e expectativas
Um dos principais entraves apontados por especialistas é a resistência do setor automotivo brasileiro à abertura do mercado para veículos coreanos. No entanto, o governo defende que o acordo pode beneficiar a exportação de produtos agrícolas e carne bovina. "A Coreia do Sul é um grande importador de alimentos e o Brasil tem plenas condições de atender essa demanda", afirmou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
Além disso, o acordo também é visto como uma forma de diversificar as parcerias comerciais do Mercosul, que atualmente concentra grande parte de seus acordos com a China e a União Europeia. "Precisamos ampliar nossa presença na Ásia, e a Coreia do Sul é uma porta de entrada estratégica", destacou o chanceler Mauro Vieira.
O grupo de trabalho deverá realizar consultas com o setor privado e com os demais países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) para alinhar posições. A expectativa é que, após o relatório, as negociações formais sejam retomadas ainda em 2026.



