O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que os EUA assumirão o controle do Estreito de Ormuz, tornando-se seus 'guardiões', e cobrarão uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pela via marítima. A declaração foi feita em uma publicação na rede Truth Social e em entrevista à Fox News na segunda-feira (13). O bloqueio naval americano contra embarcações ligadas ao Irã começa nesta terça-feira (14), às 17h pelo horário de Brasília, segundo a Marinha dos EUA.
Detalhes do anúncio de Trump
Na entrevista à Fox News, Trump afirmou: 'Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso.' Pouco depois, na Truth Social, ele escreveu: 'O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos. Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como 'o guardião do Estreito de Ormuz', mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo.'
A declaração contrasta com o que Trump havia dito em junho, quando afirmou que não haveria cobrança de pedágio em Ormuz. O memorando de paz assinado entre EUA e Irã em junho previa a reabertura da via marítima sem cobrança durante 60 dias, período em que Irã, Omã e países do Golfo negociariam um modelo de administração futura.
Bloqueio naval e inspeções
Segundo a Marinha americana, o bloqueio naval será estendido a toda a costa iraniana para reprimir o tráfego de embarcações que saírem de qualquer porto ou terminal petrolífero do país. O 'trânsito neutro' continuará liberado, assim como embarcações com ajuda humanitária, mas todos os navios serão submetidos a inspeções militares. O objetivo é estrangular a economia iraniana, como ocorreu durante a guerra, quando navios militares dos EUA bloquearam a entrada do Estreito de Ormuz contra embarcações iranianas.
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela região.
Reação do Irã
O comando militar do Irã rebateu a declaração de Trump, afirmando que 'não permitirá que os EUA intervenham na administração' do Estreito de Ormuz. Em comunicado, disse: 'Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada.' O texto também alerta os países vizinhos: 'Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã.' A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que mantém sua 'autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz' e que, ao interferir, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás.
Fechamento do estreito e ataques recentes
No sábado (11), o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, mas os EUA negam. O anúncio foi feito depois que os EUA disseram ter atacado 140 alvos militares iranianos em 24 horas, totalizando mais de 300 durante três noites de ofensiva. Segundo o Comando Central dos EUA, o objetivo foi retaliar ataques iranianos contra embarcações na região. A Guarda Revolucionária iraniana confirmou ter disparado tiros de advertência e detido uma embarcação que comprometeu a segurança marítima.
O Irã declarou que o estreito permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região, afirmando que nenhuma embarcação terá permissão para passar.



