Argentina não pedirá desculpas por ataques de Milei a Lula, afirma jornal
Argentina não pedirá desculpas por ataques de Milei a Lula

O governo da Argentina, liderado pelo presidente Javier Milei, não apresentará um pedido formal de desculpas ao Brasil pelas declarações agressivas feitas por Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi divulgada pelo jornal argentino Clarín, citando fontes do Palácio do Obelisco.

Decisão do governo Milei

De acordo com o Clarín, a administração de Milei considera que as falas do presidente argentino não ultrapassaram os limites do debate político e, portanto, não exigem retratação. “O presidente não vai se desculpar por expressar sua opinião sobre políticas que considera prejudiciais à Argentina”, declarou um assessor direto de Milei, em condição de anonimato. A decisão foi tomada após reunião do alto escalão do governo na última segunda-feira, 27 de julho de 2026.

Contexto das declarações

Milei, conhecido por seu estilo polêmico, havia chamado Lula de “comunista autoritário” e criticado a política econômica brasileira durante um evento em Buenos Aires, no dia 20 de julho. As declarações geraram forte reação do Itamaraty, que convocou o embaixador argentino para esclarecimentos. Lula, por sua vez, respondeu indiretamente, afirmando que “não aceita desrespeito à soberania brasileira”. Até o momento, o Brasil não comentou oficialmente a nova posição argentina.

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Consequências diplomáticas

Analistas apontam que a recusa em se desculpar pode aprofundar o distanciamento entre os dois vizinhos. A relação bilateral já enfrentava tensões desde a posse de Milei, em dezembro de 2023, quando o argentino declarou não pretender negociar com “países socialistas”. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que o comércio bilateral sofreu queda de 7% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, reflexo da instabilidade política.

Reações no Congresso argentino

No âmbito legislativo, deputados da oposição argentina criticaram a postura do governo. “Recusar-se a pedir desculpas é um ato de arrogância que prejudica a imagem do país no Mercosul”, afirmou a deputada Cristina Kirchner, ex-presidente. Já aliados de Milei defendem a decisão. “O presidente não se curva a pressões externas”, disse o deputado José Luis Espert, líder da bancada governista.

A expectativa agora é sobre os próximos passos do Brasil. Especialistas acreditam que o governo Lula pode adotar medidas de retaliação diplomática, como o adiamento da cúpula do Mercosul prevista para agosto. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente.

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