Volvo abandona meta de vendas de 2024 devido à crise na China
Volvo abandona meta de vendas de 2024 por crise na China

A Volvo descartou sua meta de expandir as vendas de automóveis este ano devido a uma deterioração mais intensa que o esperado no mercado chinês. O recuo evidencia como a desaceleração no maior mercado automotivo do mundo tem pressionado as montadoras.

Fraqueza na China impacta rentabilidade

A fraqueza na China impactou a rentabilidade da fabricante sueca no segundo trimestre. A empresa reportou um lucro operacional de 826 milhões de coroas (US$ 85 milhões) no período, vindo abaixo das expectativas dos analistas.

As ações da companhia, que é controlada pela Zhejiang Geely Holding Group, despencaram até 11% em Estocolmo. Foi a maior queda intradiária desde fevereiro, estendendo as perdas acumuladas no ano para mais de um terço do valor de mercado da empresa.

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CEO descreve mercado sombrio

“O mercado está bastante sombrio”, afirmou o CEO da montadora, Håkan Samuelsson, em entrevista. “Existe uma enorme incerteza política, a confiança do consumidor não está nos melhores níveis e, na China, o que aconteceu acima de tudo foi uma forte retração do mercado”, acrescentou. “Isso provavelmente ocorreu de forma mais rápida do que prevíamos.”

Desafios do setor

A Volvo e suas concorrentes enfrentam um cenário desafiador, que inclui a volatilidade na demanda por veículos elétricos (EVs), uma guerra acirrada de preços e a lentidão no mercado dos Estados Unidos, onde as vendas de elétricos ainda não se recuperaram após o fim dos incentivos à compra.

As montadoras europeias estão especialmente expostas à China, país que responde por cerca de um terço do mercado global. No mês passado, a BMW e a Volkswagen também apontaram as quedas acentuadas na demanda chinesa como culpadas pelo desempenho fraco de suas vendas globais no segundo trimestre.

Perspectivas para o segundo semestre

Analistas preveem que o balanço atual deve marcar o piso para os resultados da Volvo, após emitirem alertas de que os descontos agressivos, os custos mais altos de frete e matérias-primas, além de um mix de vendas desfavorável, pressionariam as margens.

A empresa comunicou que projeta “vendas significativamente mais fortes no segundo semestre”, impulsionadas pelo crescimento na Europa e por uma recuperação nos EUA. Para o fechamento do ano, a expectativa é de um “fluxo de caixa livre fortemente positivo”, prevendo encerrar 2026 “próximo ao break-even”.

Riscos macroeconômicos

Samuelsson ponderou que o principal risco para a segunda metade do ano é uma eventual piora do cenário macroeconômico. “Se houver um revés e as coisas ficarem ainda piores — caso, por exemplo, o conflito no Oriente Médio escale para uma guerra total —, isso obviamente não seria bom para a economia”, disse o executivo.

Incertezas regulatórias

Uma das principais incertezas regulatórias que pairavam sobre a empresa foi dissipada em maio, quando a Volvo obteve autorização dos EUA para continuar vendendo veículos conectados, apesar de seu controle chinês. A decisão eliminou o risco de um potencial banimento de vendas em um de seus maiores mercados.

A Polestar Automotive Holding, na qual a Volvo detém participação relevante, não conseguiu aprovação semelhante. O veto praticamente inviabilizou os planos de expandir a produção na fábrica da Volvo em Charleston, na Carolina do Sul, que abasteceria o mercado norte-americano.

Mercado europeu e incentivos

A Volvo também busca melhorar a utilização de sua capacidade fabril na Europa, onde a demanda por veículos elétricos tem sido sustentada por subsídios governamentais na França e na Alemanha, o maior mercado da região. “Estamos observando um crescimento muito robusto em veículos elétricos, particularmente na Europa”, apontou Samuelsson.

Nesta semana, a montadora anunciou a assinatura de um acordo com o governo federal da Bélgica e o governo regional de Flandres que pode liberar até € 119 milhões (US$ 136 million) em incentivos para investimentos em sua fábrica na cidade de Ghent.

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Cooperação com Geely

O executivo-chefe destacou que a fabricante está estreitando a cooperação com sua controladora majoritária, a Geely, para se adaptar às rápidas mudanças do mercado chinês. Embora não existam planos concretos, a unidade de Ghent poderá, eventualmente, montar veículos de marcas da Geely sob contrato de manufatura.

Ele também informou que as duas companhias trabalharão de forma mais integrada no desenvolvimento de futuras plataformas de veículos, componentes de hardware e modelos específicos para a China, argumentando que projetar produtos competitivos para o mercado chinês apenas a partir de Gotemburgo seria “quase impossível”.

Economia de custos

A Volvo informou que capturou 5 bilhões de coroas em economias de custos indiretos e variáveis este ano, atingindo a meta com seis meses de antecedência. O montante se soma aos 8 bilhões de coroas economizados no ano passado.