A vacinação infantil na América Latina e no Caribe está se recuperando aos níveis observados antes da pandemia de covid-19, mas a cobertura contra o sarampo ainda preocupa as autoridades de saúde. A informação foi divulgada pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 15 de julho de 2026, com base em dados atualizados de 2025.
Recuperação geral, mas sarampo ainda abaixo da meta
Segundo a Opas, em 2025 a vacinação contra o sarampo na região apresentou uma leve queda em relação ao ano anterior, mantendo-se abaixo da meta de 95% de cobertura necessária para prevenir surtos. Embora alguns países tenham alcançado altas taxas de imunização, outros ainda estão com índices insuficientes, aumentando o risco de reintrodução do vírus.
“A recuperação é encorajadora, mas não podemos baixar a guarda. O sarampo é altamente contagioso e qualquer brecha na cobertura pode levar a surtos”, afirmou a diretora da Opas, Carissa Etienne, em comunicado oficial.
Difteria, tétano e coqueluche apresentam melhores índices
Em contraste, as vacinas contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) e contra o HPV mostraram melhor desempenho, com coberturas mais próximas ou acima das metas regionais. A Opas destacou que a vacinação contra a poliomielite também apresentou recuperação consistente.
Os dados de 2025 indicam que a cobertura da DTP na América Latina ultrapassou 90% em média, enquanto a vacina contra o sarampo (tríplice viral) ficou em torno de 88%, ainda distante dos 95% recomendados.
Desigualdades entre países e desafios persistentes
A Opas alerta que as disparidades entre os países da região continuam sendo um obstáculo. Nações como Brasil, Chile e Costa Rica mantêm altas taxas de vacinação, enquanto outros, como Venezuela e Haiti, enfrentam dificuldades logísticas e de acesso que comprometem a imunização infantil.
“É essencial fortalecer os sistemas de saúde e as campanhas de vacinação para alcançar todas as crianças, especialmente as mais vulneráveis”, acrescentou Etienne.
A organização também destacou a importância de manter a vigilância epidemiológica e a comunicação com as comunidades para combater a hesitação vacinal, que ainda persiste em alguns grupos.
Próximos passos
A Opas recomenda que os países intensifiquem as ações de vacinação de rotina e realizem campanhas de atualização para as crianças que perderam doses durante a pandemia. A meta é atingir 95% de cobertura para todas as vacinas do calendário básico infantil até 2027.



