O novo tarifaço anunciado pelo governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, impõe tarifas sobre uma ampla gama de produtos importados, mas inclui mais de 2 mil exceções que limitam seu impacto imediato. Entre os itens isentos estão terras-raras, carne, café e outros bens estratégicos. A medida, que entrou em vigor nesta quinta-feira (16), gerou reações imediatas nos mercados financeiros e no governo brasileiro.
Exceções e impactos setoriais
As exceções ao tarifaço foram desenhadas para proteger setores considerados essenciais para a economia americana. Terras-raras, utilizadas em tecnologias de ponta, e produtos agrícolas como carne e café ficaram de fora das tarifas. Segundo analistas, a exclusão desses itens reduz o impacto sobre cadeias produtivas globais, mas ainda há alertas para setores mais expostos, como o de manufaturados.
O economista-chefe de uma consultoria internacional afirmou: "As isenções são um sinal de que Trump busca equilibrar protecionismo com a necessidade de manter insumos críticos acessíveis. No entanto, a incerteza sobre futuras rodadas de tarifas permanece alta".
Reação dos mercados: Ibovespa e juros
O Ibovespa abriu em queda nesta quinta-feira, recuando para a casa dos 175 mil pontos, pressionado pelo tarifaço e por fatores domésticos. A taxa do Tesouro IPCA+ subiu ao longo de toda a curva, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos. Além do tarifaço, outros motivos contribuem para a aversão ao risco, como a tramitação da reforma tributária e a desaceleração da economia chinesa.
O JPMorgan reduziu a recomendação para a Copel, que caiu 3% após elevar a meta de alavancagem. A instituição expressou cautela sobre a política de dividendos da empresa.
Retaliação brasileira: royalties e patentes
O governo brasileiro estuda medidas de retaliação que podem incluir a suspensão de royalties e patentes farmacêuticas de empresas americanas. A medida, que ainda está em análise, seria uma resposta ao tarifaço e poderia afetar grandes laboratórios que operam no país. O Ministério da Economia avalia o impacto jurídico e comercial da ação, que exigiria mudanças na legislação de propriedade intelectual.
O ministro da Economia, em declaração à imprensa, disse: "Não vamos aceitar passivamente medidas unilaterais que prejudiquem a indústria nacional. Todas as opções estão na mesa, incluindo a revisão de acordos de patentes".
Lei da Reciprocidade e o tarifaço
O tarifaço americano se baseia na Lei da Reciprocidade, que permite ao presidente impor tarifas equivalentes às barreiras comerciais impostas por outros países. A lei foi utilizada pela primeira vez neste governo e tem gerado debates sobre sua legalidade na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Especialistas apontam que a lei pode ser contestada, mas o processo na OMC é lento. Enquanto isso, países como Brasil, China e União Europeia buscam alternativas para mitigar os efeitos das tarifas.
Impacto político: críticas e defesas
No Brasil, o tarifaço gerou troca de acusações entre governo e oposição. O presidente Lula afirmou: "É triste constatar que o desfecho faz parte do enredo da família Bolsonaro", referindo-se à aproximação do ex-presidente com Trump. Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro comparou Lula a Biden e disse que o Brasil é um "avião sem piloto". O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também criticou o governo federal.
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) criticou a postura do governo, afirmando que o tarifaço "se soma ao custo Brasil e poderia ter sido evitado" com uma política comercial mais ativa. A entidade defende a abertura de negociações diretas com os EUA para reduzir as tarifas.
Mundo: restrições a vistos e tensões geopolíticas
Além do tarifaço, Trump anunciou restrições a vistos de estudantes, intercambistas e jornalistas, como parte de uma política migratória mais dura. A medida afeta diretamente brasileiros que planejam estudar ou trabalhar nos EUA.
No Oriente Médio, o Irã ameaçou fechar mais rotas marítimas, elevando a tensão sobre o Estreito de Ormuz. Israel intensificou ataques em Gaza, deixando mais 5 mortos, segundo autoridades de saúde locais. O Pentágono, por sua vez, anunciou que fará exames de testosterona em militares homens acima de 30 anos, em uma medida controversa.



