PSD do Rio alinha-se a Lula e a ruralistas em votações ambientais
PSD do Rio segue Lula e ruralistas em pauta ambiental

Em um movimento que surpreendeu analistas políticos, o Partido Social Democrático (PSD) do Rio de Janeiro alinhou-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à bancada ruralista em votações na Câmara dos Deputados sobre pautas ambientais. De acordo com levantamento do Observatório do Clima, divulgado nesta segunda-feira, o partido votou com os ruralistas em 85% das proposições analisadas no primeiro semestre de 2026.

Alinhamento estratégico

O estudo analisou 47 votações nominais em plenário relacionadas a temas como desmatamento, agrotóxicos, licenciamento ambiental e unidades de conservação. O PSD fluminense, liderado pelo deputado federal Pedro Paulo, seguiu a orientação do governo Lula em 40 dessas votações, o que representa 85% de convergência com a base ruralista. “O partido tem uma atuação pragmática, buscando equilibrar interesses ambientais e econômicos”, afirmou Pedro Paulo em nota.

Contradição com discurso

A posição contrasta com o discurso ambientalista do presidente Lula, que na COP30, em Belém, defendeu o desmatamento zero na Amazônia até 2030. No entanto, na prática, o governo tem cedido a pressões do agronegócio para aprovar medidas que flexibilizam regras ambientais. O levantamento mostra que, em votações como o PL 6299/2002 (Pacote do Veneno), o PSD do Rio votou favoravelmente, acompanhando a maioria do governo.

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Reações

A organização não governamental Observatório do Clima criticou a postura. “É preocupante ver um partido que se diz progressista votar contra o meio ambiente. Os dados mostram que o discurso não se reflete nas urnas do Congresso”, disse em comunicado. Já a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) comemorou o alinhamento. “O PSD entende que o desenvolvimento rural é essencial para o país”, afirmou o deputado Sérgio Souza (MDB-PR), presidente da FPA.

Impactos

O comportamento do PSD do Rio pode influenciar as eleições de 2026, especialmente no estado, onde a pauta ambiental é sensível devido à presença de biomas como a Mata Atlântica. Especialistas apontam que o partido pode perder apoio de eleitores urbanos preocupados com a crise climática. “O PSD está fazendo uma aposta arriscada, priorizando alianças com o agro em detrimento da base ambientalista”, analisa o cientista político Carlos Pereira, da FGV.

Próximos passos

O levantamento deve ser usado por organizações ambientalistas para pressionar os parlamentares nas próximas votações, como o projeto de lei que trata da regularização fundiária. O PSD do Rio, por sua vez, afirma que continuará avaliando cada proposta com base no mérito. “Não somos contra o meio ambiente, mas precisamos garantir que as regras não inviabilizem a produção”, concluiu Pedro Paulo.

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