PCC e CV lideram lista de organizações criminosas nas Américas, aponta Igarapé
PCC e CV são as maiores facções criminosas das Américas

As facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) encabeçam a lista das organizações criminosas com maior atuação nas Américas, segundo estudo do Instituto Igarapé divulgado nesta terça-feira. Os grupos superam cartéis mexicanos, maras salvadorenhas e a máfia italiana em alcance e capacidade operacional.

Pesquisa revela domínio brasileiro no crime organizado

O levantamento do think tank especializado em segurança pública analisou 12 organizações criminosas que atuam no continente americano. PCC e CV destacam-se por terem milhares de membros espalhados por diversos países, com forte presença no tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas. O estudo aponta que essas facções se transformaram em redes diversificadas, superando modelos tradicionais de cartéis.

“O PCC e o Comando Vermelho não são mais apenas grupos prisionais; tornaram-se empresas criminosas transnacionais”, afirma o pesquisador do Igarapé responsável pelo estudo. “Eles controlam rotas de drogas, lavam dinheiro e infiltram-se em economias lícitas.”

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Comparação com outras organizações

O relatório coloca os grupos brasileiros à frente de organizações como o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nueva Generação (CJNG), a Mara Salvatrucha (MS-13) e a 'Ndrangheta italiana. Enquanto os cartéis mexicanos ainda são poderosos, sua fragmentação e foco regional limitam sua influência continental. Já as maras, embora violentas, têm atuação mais restrita à América Central.

Segundo o Igarapé, a máfia italiana, apesar de sua longevidade, perdeu espaço nas Américas para as facções brasileiras, que cresceram rapidamente nas últimas décadas. O estudo estima que o PCC tenha entre 30 mil e 40 mil membros, enquanto o CV conta com cerca de 20 mil.

Críticas às abordagens militares e sugestões de política

O documento critica as estratégias de combate baseadas exclusivamente no uso da força militar, comuns em países como México e Brasil. “Abordagens militares não têm sido eficazes para desmantelar essas redes”, diz o estudo. “É necessário focar em inteligência financeira e cooperação internacional para atingir os lucros dessas organizações.”

O Igarapé sugere que os governos invistam em análise de fluxos financeiros ilícitos, compartilhamento de informações entre agências e fortalecimento de instituições de justiça criminal. “A chave está em cortar o financiamento e não apenas prender líderes”, conclui o pesquisador.

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