Na Espanha, não exageramos na reação a Trump, diz secretária de Comércio
Na Espanha, não exageramos na reação a Trump, diz secretária

A secretária de Comércio da Espanha, Amparo López Senovilla, afirmou nesta terça-feira que o país não exagerou na reação às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos europeus. Em entrevista ao jornal El País, a funcionária defendeu que a resposta de Madri foi proporcional e baseada em regras multilaterais.

Reação espanhola às tarifas de Trump

“Na Espanha, não exageramos na reação a Trump. Agimos de forma comedida e dentro do marco da União Europeia”, disse López Senovilla. A declaração ocorre após os EUA anunciarem tarifas de 25% sobre aço e alumínio europeus, afetando diretamente a indústria espanhola. A Espanha, em coordenação com Bruxelas, respondeu com tarifas sobre produtos americanos como uísque, motocicletas e suco de laranja.

López Senovilla destacou que a estratégia espanhola priorizou o diálogo e a negociação, evitando uma escalada que pudesse prejudicar ainda mais as relações bilaterais. “Queremos evitar uma guerra comercial que não beneficia ninguém. Acreditamos que a via diplomática é o melhor caminho”, acrescentou.

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Impacto econômico e perspectivas

Dados do Ministério da Indústria, Comércio e Turismo indicam que as exportações espanholas para os EUA somaram cerca de 15 bilhões de euros em 2025, com destaque para bens de capital, produtos químicos e agroalimentares. As tarifas americanas podem afetar setores como o automotivo e o de componentes eletrônicos. A secretária estimou que as medidas podem reduzir em até 2% as vendas espanholas para o mercado americano no curto prazo.

“Estamos monitorando a situação de perto. As empresas espanholas são resilientes e já estão buscando alternativas, como a diversificação de mercados na Ásia e América Latina”, afirmou López Senovilla. Ela também mencionou que a União Europeia está preparando um pacote de compensações para setores mais afetados.

Posição europeia e negociações

A Espanha tem atuado em conjunto com a UE para pressionar Washington a recuar. A secretária defendeu que a resposta europeia foi “firme, mas não exagerada”, e que as tarifas retaliatórias foram aplicadas de forma cirúrgica. “Não queremos prejudicar consumidores americanos, mas sim mostrar que medidas unilaterais têm consequências”, explicou.

Ela também comentou sobre as negociações em curso: “Estamos abertos ao diálogo. Acreditamos que uma solução negociada é possível, mas isso depende da disposição americana.” As declarações de López Senovilla ocorrem em meio a tensões comerciais globais, com a China também retaliando tarifas americanas.

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