O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, negou nesta quinta-feira (30) que haja uma crise diplomática com a Argentina após declarações do presidente argentino Javier Milei. Em entrevista coletiva em Brasília, Vieira afirmou que as falas de Milei não representam a posição oficial do governo argentino e que o diálogo entre os dois países segue normalmente.
Declarações de Milei geraram tensão
Na semana passada, Milei fez críticas indiretas ao governo brasileiro durante um evento empresarial em Buenos Aires, mencionando supostas divergências ideológicas. As declarações foram mal recebidas por setores do governo brasileiro, que viram um possível afastamento entre os dois principais parceiros do Mercosul. No entanto, Vieira minimizou o episódio: "Não há nenhuma crise. As relações Brasil-Argentina são maduras e institucionais. Declarações pontuais não abalam a parceria estratégica que construímos ao longo de décadas."
Comércio bilateral continua robusto
O ministro destacou que o intercâmbio comercial entre os dois países cresceu 12% em 2025, atingindo US$ 28 bilhões. "Os números falam por si. A Argentina é nosso terceiro maior parceiro comercial e continuamos trabalhando juntos em áreas como energia, infraestrutura e defesa", afirmou. Vieira também lembrou que a agenda de cooperação inclui projetos na fronteira e no setor automotivo, que geram milhares de empregos em ambos os lados.
Diálogo diplomático mantido
Questionado sobre a possibilidade de uma convocação do embaixador argentino, Vieira descartou qualquer gesto hostil. "Não há necessidade de medidas extraordinárias. O Itamaraty mantém contato regular com a chancelaria argentina e tudo corre dentro da normalidade", disse. O ministro ainda enfatizou que o Brasil respeita a autonomia dos líderes estrangeiros, mas que a política externa brasileira é guiada por interesses concretos, não por declarações retóricas.
Próximos passos
Vieira anunciou que uma reunião bilateral está prevista para setembro, em Nova York, à margem da Assembleia Geral da ONU. "Estaremos juntos para discutir a agenda do Mercosul e a integração sul-americana. A parceria Brasil-Argentina é sólida e vai além de eventuais ruídos", concluiu.



