Com 100% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori alcançou 9.223.396 votos (50,135%) contra 9.137.755 votos (49,865%) do adversário de esquerda Roberto Sánchez no segundo turno das eleições presidenciais peruanas, realizadas em 7 de junho. A vantagem é considerada irreversível, e Fujimori deve ser declarada vencedora pelo Jurado Eleitoral Especial, órgão máximo eleitoral do país, até a próxima sexta-feira (3).
Resultado oficial e contestação
Apesar da liderança consolidada, Sánchez não reconhece o resultado. Na terça-feira (23), ele alegou fraude e convocou apoiadores para protestos no sábado (27). O candidato de esquerda também pediu recontagem e apresentou recurso para anular os votos de peruanos no exterior, que foram determinantes para a virada de Fujimori. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo jornal El Comercio afirmam que o pedido não tem fundamento jurídico e visa apenas atrasar a proclamação oficial.
Instabilidade política no Peru
Fujimori substituirá o presidente interino José María Balcázar Zelada, de esquerda, que assumiu há quatro meses após a destituição de José Jeri. Jeri foi afastado pelo Congresso por má conduta devido a reuniões não divulgadas com empresários chineses. Antes dele, Dina Boluarte também foi destituída por corrupção, e Pedro Castillo foi preso após dissolver o Congresso e declarar estado de exceção para evitar impeachment. O Peru vive uma década de forte instabilidade: nos últimos oito anos, oito presidentes passaram pelo cargo.
Votação no exterior e polarização
A apuração mostrou forte polarização. Sánchez liderou a contagem inicial, mas Fujimori superou-o com os votos de cidadãos peruanos no exterior. A ONPE, autoridade eleitoral, revisa cédulas contestadas há mais de duas semanas. Sánchez acusa a ONPE e a campanha de Fujimori de irregularidades nos votos do exterior. A imprensa peruana aponta que a vitória de Fujimori é certa, e a transição deve ocorrer nos próximos dias.



