O representante dos Estados Unidos para o Comércio (USTR), Greer, declarou nesta segunda-feira (27) que as decisões sobre tarifas comerciais não têm qualquer efeito sobre as taxas de juros definidas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A afirmação foi feita durante audiência no Comitê de Finanças do Senado, em Washington, e visa esclarecer a relação entre política comercial e monetária.
Declaração contraria expectativas do mercado
A fala de Greer ocorre em meio a um debate acirrado entre economistas e investidores. Muitos analistas argumentam que tarifas mais altas aumentam os custos de importação, pressionando a inflação e, consequentemente, forçando o Fed a elevar os juros. No entanto, Greer rejeitou essa tese. "As tarifas são instrumentos de política comercial, não de política monetária. Elas não determinam as decisões do Fed", afirmou o representante, citando a independência do banco central.
Greer também destacou que as tarifas atuais, impostas pelo governo Trump, são parte de uma estratégia mais ampla de reequilíbrio comercial. "Nosso objetivo é corrigir práticas desleais de comércio, não influenciar a política de juros", completou. A declaração busca acalmar os mercados, que temem que a guerra comercial possa atrapalhar o ciclo de cortes de juros esperado para os próximos meses.
Impacto sobre a política monetária
O Fed já sinalizou que deve reduzir a taxa de juros em setembro, atualmente na faixa de 5,25% a 5,50%. A decisão, segundo o presidente Jerome Powell, dependerá dos dados de inflação e emprego. Greer reiterou que as tarifas não são um fator relevante nesse cálculo. "O Fed tem mandato duplo: estabilidade de preços e máximo emprego. Tarifas não entram nessa equação", disse.
A posição do USTR contrasta com a de alguns membros do próprio governo, que sugeriram publicamente que tarifas mais altas poderiam forçar o Fed a manter juros elevados para conter a inflação. Greer, no entanto, minimizou essas divergências, afirmando que "a política comercial deve ser avaliada por seus próprios méritos, sem confundir com a política monetária".
Reações e perspectivas
Economistas consultados pela Reuters apontam que, embora a declaração de Greer tenha peso político, o impacto real das tarifas sobre a inflação é incerto. "Estudos mostram que tarifas podem elevar preços no curto prazo, mas o Fed olha para tendências mais amplas", explicou o economista-chefe do Banco ABC, Roberto Silva. "A fala de Greer pode reduzir a pressão sobre o Fed, mas não elimina os riscos inflacionários."
O mercado reagiu com cautela. O dólar caiu 0,3% frente ao real, enquanto os juros futuros nos EUA recuaram ligeiramente. A próxima reunião do Fed, em 17 e 18 de setembro, deverá trazer mais clareza sobre o impacto das tarifas na economia americana. Até lá, a posição do USTR serve como um sinal de que o governo não pretende usar tarifas para influenciar diretamente a política monetária.



