A final da Copa do Mundo de 2026 será disputada entre Argentina e Brasil, em um confronto que transcende o esporte e assume contornos políticos claros. De um lado, a Argentina de Javier Milei, aliado declarado do ex-presidente americano Donald Trump; do outro, o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva, rival histórico de Trump. A partida, marcada para o próximo domingo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Estados Unidos, é a primeira final entre as duas seleções sul-americanas em 36 anos.
Politização da Copa
A Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, já era vista como a mais politizada da história. A presença de líderes como Milei e Lula na final intensifica esse cenário. Milei, que assumiu a presidência argentina em dezembro de 2023, é um defensor ferrenho de Trump e do liberalismo econômico. Já Lula, presidente brasileiro desde 2023, representa a esquerda e tem criticado abertamente Trump e suas políticas.
“Esta final é um reflexo do momento político global”, afirmou o cientista político Fernando Schuler, da Fundação Getulio Vargas. “Temos dois líderes com visões opostas, e a Copa se torna um palco para essa disputa ideológica.”
Milei e Trump: aliança em campo
Milei não esconde sua admiração por Trump. Em maio de 2026, durante visita aos Estados Unidos, o presidente argentino participou de um comício do republicano na Flórida. “Trump é um líder que luta pela liberdade, assim como eu”, declarou Milei na ocasião. A aliança entre os dois é vista como estratégica para a direita global, especialmente na América Latina.
A torcida argentina no estádio deve exibir bandeiras com o rosto de Trump, e o próprio ex-presidente americano confirmou presença na final. “Estarei lá para apoiar meu amigo Javier”, disse Trump em entrevista à rádio argentina La Red. “A Argentina vai vencer, e o mundo verá o poder da direita.”
Lula e a rivalidade com Trump
Do lado brasileiro, Lula representa a oposição a Trump. O presidente brasileiro já chamou Trump de “fascista” e criticou sua gestão durante a pandemia. Em 2024, Lula apoiou abertamente Joe Biden na eleição americana. “Trump é uma ameaça à democracia”, afirmou Lula em discurso no Rio de Janeiro.
A presença de Lula na final também é simbólica. O brasileiro é um dos líderes mais populares da esquerda mundial, e sua rivalidade com Trump é antiga. Em 2019, durante a cúpula do G20, os dois trocaram farpas sobre a Amazônia e a política ambiental.
Impacto no esporte
A politização da final preocupa a FIFA. A entidade máxima do futebol sempre buscou manter a Copa do Mundo como um evento apartidário. No entanto, a realidade atual impõe desafios. “O esporte não pode ficar imune à política”, disse o presidente da FIFA, Gianni Infantino, em coletiva. “Mas esperamos que a festa do futebol prevaleça.”
A partida também terá impacto econômico. A final deve gerar US$ 500 milhões em receita para a região metropolitana de Nova York, segundo a Câmara de Comércio local. Hotéis, restaurantes e serviços de transporte estão lotados.
Expectativa para o jogo
Dentro de campo, a final promete ser equilibrada. A Argentina, atual campeã mundial, conta com Lionel Messi, que aos 39 anos busca seu segundo título. O Brasil, por sua vez, tem Neymar como principal estrela, em sua quarta Copa. As duas seleções se enfrentaram 109 vezes na história, com 43 vitórias brasileiras, 39 argentinas e 27 empates.
O técnico da Argentina, Lionel Scaloni, destacou a força do rival. “O Brasil é uma potência, mas estamos preparados. Vamos jogar com alma e coração.” Já o técnico do Brasil, Dorival Júnior, afirmou: “Respeitamos a Argentina, mas queremos o hexa. A torcida brasileira merece essa alegria.”
Segurança e protestos
As autoridades americanas montaram um esquema de segurança reforçado para a final. Mais de 10 mil policiais estarão no estádio e arredores. Protestos são esperados, tanto de grupos de direita apoiando Milei e Trump quanto de movimentos de esquerda apoiando Lula.
Em Nova York, manifestações já ocorrem desde a semana passada. Na última quarta-feira, um protesto de brasileiros contra Trump reuniu 5 mil pessoas na Times Square. “Não queremos Trump no futebol”, disse a organizadora Maria Silva. “A Copa é do povo, não dos políticos.”
A final da Copa do Mundo de 2026 será, sem dúvida, um marco histórico. Mais do que um jogo de futebol, será um embate de ideologias, com o mundo acompanhando cada lance e cada discurso.



