Extrema-direita vence eleição na Colômbia com Abelardo de la Espriella
Extrema-direita vence eleição na Colômbia

Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, venceu a apuração preliminar para a presidência da Colômbia neste domingo (21). Considerado de extrema-direita, ele superou o senador Iván Cepeda, de esquerda, por menos de 250 mil votos. Em um vídeo, de la Espriella celebrou a vitória vestido com a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos com os Estados Unidos para combater o crime organizado. "Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante", afirmou. A contagem definitiva dos votos deve ocorrer nesta segunda-feira (22).

Quem é Abelardo de la Espriella?

Apelidado de "El Tigre", Espriella nasceu em Bogotá em 1978. É casado com Ana Lucía Pineda Aruachan e tem quatro filhos. O empresário conquistou o eleitorado apresentando-se como um "salvador anti-establishment" e repetiu promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Espriella fundou a De La Espriella Lawyers Enterprise, um escritório de advocacia empresarial conhecido no país.

O triunfo da direita e a guinada na Colômbia

O triunfo do direitista de la Espriella representa uma guinada no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia. Abelardo é filiado ao Movimento de Salvação Nacional (MSN), um partido político colombiano de extrema-direita fundado em 1990 por Álvaro Gómez Hurtado, assassinado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 1995. Espriella também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Trump. Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista prometeu uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões. “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella durante a campanha.

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Discurso de segurança e economia

O discurso do candidato da direita foi o que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia - fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado. Entre os símbolos utilizados pelo empresário durante a campanha está a camisa da seleção colombiana, que também se tornou um símbolo da direita no país. Muitos de seus apoiadores votaram no primeiro turno vestindo camisas com os nomes de craques da seleção, como James Rodríguez e Luis Díaz. Apesar de não ser militar, toda vez que Espriella termina uma intervenção, leva a mão direita ao cenho, baixa rapidamente e grita: "Firme pela pátria!". Isso serviu de inspiração para os apoiadores prestarem continência como saudação.

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A origem do apelido "El Tigre"

Sobre ser chamado de "El Tigre", a página de internet do político diz que o apelido surgiu de uma declaração do ex-presidente Álvaro Uribe, que governou entre 2002 e 2010. O líder da direita colombiana, que apoia o ultradireitista após a derrota de seu partido no primeiro turno, afirmou em 2024 que a Colômbia precisava de "um tigre" ou "uma tigresa" na Presidência. Espriella assumiu como própria a imagem do felino, como fizeram os presidentes argentino, Javier Milei, com o leão, e o americano, Donald Trump, com a águia-careca americana. Uribe celebrou nas redes sociais o resultado preliminar. "Estamos seguros de que o doutor De la Espriella fará um governo de recuperação democrática, útil para todos os colombianos", publicou Vélez. Milei também comemorou mais uma vitória da direita na América Latina. "A liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás", postou em uma rede social. O presidente do Equador e aliado de Trump, Daniel Noboa, também parabenizou o empresário. Espriella também afirmou ter sido parabenizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Resultado ainda não é oficial

Nas redes sociais, o presidente Gustavo Petro afirmou na noite de domingo que nenhum resultado deve ser considerado oficial até a conclusão do escrutínio. Na eleição colombiana, a apuração tem duas etapas. A primeira é o chamado "preconteo", uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação usada para projetar o resultado. Mas, segundo a legislação do país, o resultado oficial só é proclamado após o "escrutínio", em que juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir eventuais inconsistências. A eleição se tornou uma "queda de braço" entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o presidente dos EUA, Donald Trump. Cepeda era o candidato apoiado por Petro, enquanto o ultradireitista Espriella teve apoio declarado do líder norte-americano. "Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir", escreveu Petro.

Onda de direita na América Latina

Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Iván Cepeda. No primeiro turno, Cepeda obteve 41% dos votos, enquanto de la Espriella conquistou 44%, segundo os resultados oficiais. O resultado da eleição deve cimentar a onda de governos da direita na América Latina. Isso porque Espriella se junta a diversos países latino-americanos que elegeram governos direitistas nos últimos anos, como no Chile, com Jorge Kast, e a Bolívia, com Rodrigo Paz. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) disse que a votação ocorreu de forma tranquila e sem maiores incidentes, e com espectadores internacionais, como representantes da OEA e da União Europeia. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu neste domingo que todas as partes respeitem um resultado. A vitória de la Espriella confirma a onda que levou outros líderes de direita à vitória na América Latina, conquistando seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente. O resultado respalda um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.