Os Estados Unidos estão pressionando o México a endurecer suas tarifas sobre o aço chinês, com o objetivo de alinhar o país às barreiras tarifárias impostas pela Seção 232 norte-americana, de acordo com fontes citadas pela Bloomberg. A medida visa preservar o tratamento preferencial concedido ao aço produzido nos EUA, México e Canadá no âmbito do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), ao mesmo tempo em que se cria uma barreira externa comum contra a China.
Negociações no contexto da revisão do USMCA
As discussões ocorrem em um momento crucial, já que o USMCA passa por uma revisão periódica. O tratado, que substituiu o Nafta em 2020, estabelece regras de origem para o comércio de bens entre os três países. A proposta dos EUA busca que o México adote tarifas equivalentes às da Seção 232, que atualmente impõem uma taxa de 25% sobre o aço importado de países que não possuem acordos preferenciais. Segundo as fontes, a ideia é evitar que o aço chinês entre no mercado norte-americano via México, contornando as tarifas dos EUA.
Impacto na indústria automobilística e segurança econômica
As negociações envolvem também temas sensíveis como a indústria automobilística e a segurança econômica. O México é um grande produtor de peças e veículos, e o aço é um insumo fundamental. O governo mexicano considera reduzir suas compras de aço chinês, mas busca equilibrar os interesses de seus setores produtivos. “O México está avaliando as implicações para sua indústria siderúrgica e automotiva”, afirmou uma fonte próxima às negociações. A pressão dos EUA ocorre em meio a uma escalada de tensões comerciais entre Washington e Pequim, com tarifas recíprocas sendo aplicadas em diversos setores.
Medidas concretas e números envolvidos
De acordo com dados do Departamento de Comércio dos EUA, as importações de aço da China caíram 35% desde a imposição da Seção 232 em 2018, mas a entrada via México aumentou 12% no mesmo período. A proposta dos EUA inclui a exigência de que o México dobre as tarifas sobre o aço chinês, atualmente em cerca de 15%, para 30%, igualando-se à alíquota da Seção 232. O México, por sua vez, pede compensações em outras áreas, como acesso preferencial para produtos agrícolas mexicanos.
Posição do México e próximos passos
O governo mexicano ainda não tomou uma decisão final, mas sinalizou disposição para negociar. “Estamos comprometidos em fortalecer a cadeia de suprimentos norte-americana, mas qualquer medida deve ser equilibrada e não prejudicar nossa competitividade”, declarou um porta-voz do Ministério da Economia do México. As negociações devem continuar nas próximas semanas, com reuniões técnicas entre os dois países. A revisão do USMCA pode ser concluída até o final do ano, mas as tarifas sobre o aço podem ser definidas antes.



