Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (21) a imposição de uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos canadenses, acusando o Canadá de práticas comerciais desleais. A medida, que entra em vigor em 30 dias, atinge setores como aço, alumínio, madeira e laticínios, e já provocou uma resposta imediata do governo canadense.
Detalhes da tarifa americana
De acordo com a representante de Comércio dos EUA, Katherine Tai, a tarifa de 50% foi aplicada após uma investigação que concluiu que o Canadá subsidia ilegalmente suas indústrias de aço e alumínio, causando prejuízos aos produtores americanos. "O Canadá tem se beneficiado de práticas que distorcem o mercado e prejudicam os trabalhadores americanos", afirmou Tai em comunicado. A tarifa também se estende a produtos derivados, como peças automotivas e materiais de construção.
Segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA, as importações de aço canadense cresceram 35% nos últimos dois anos, totalizando US$ 12 bilhões em 2025. A tarifa de 50% deve reduzir significativamente esse fluxo, protegendo a indústria nacional, mas elevando custos para consumidores e empresas americanas.
Reação do Canadá
O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, classificou a medida como "injustificada e prejudicial" e anunciou tarifas retaliatórias de 50% sobre produtos americanos, incluindo suco de laranja da Flórida, iogurtes de Wisconsin e eletrodomésticos. "Não vamos recuar diante de coerção comercial. O Canadá defenderá seus trabalhadores e indústrias", declarou Trudeau em entrevista coletiva em Ottawa.
A Confederação Canadense de Negócios estima que as tarifas retaliatórias afetarão US$ 15 bilhões em exportações americanas, com impacto direto em setores agrícolas e manufatureiros. Especialistas apontam que a escalada tarifária pode desencadear uma guerra comercial entre os dois países, com consequências para a economia norte-americana como um todo.
Impactos econômicos e políticos
A tarifa de 50% representa a maior taxa já aplicada pelos EUA a um parceiro comercial do NAFTA (agora USMCA). Analistas do Peterson Institute for International Economics calculam que a medida pode reduzir o PIB canadense em 0,8% e o americano em 0,3% no curto prazo. Setores como construção civil nos EUA, que dependem de madeira canadense, já sinalizam alta de preços.
Politicamente, a decisão ocorre em meio a um ano eleitoral nos EUA, com o presidente Joe Biden buscando fortalecer sua base entre trabalhadores industriais. Críticos, no entanto, apontam que a tarifa pode inflacionar produtos de consumo e prejudicar aliados. O senador republicano Ted Cruz chamou a medida de "protecionismo desastroso".
O governo canadense já iniciou consultas formais no âmbito da USMCA, buscando reverter a tarifa. Enquanto isso, a Organização Mundial do Comércio (OMC) também foi acionada, mas processos no órgão costumam levar anos.



