Abelardo de la Espriella, candidato de direita, foi declarado vencedor da eleição presidencial da Colômbia neste domingo (21), segundo apuração preliminar. Com 49,66% dos votos, contra 48,7% do esquerdista Iván Cepeda, a margem foi de apenas 250 mil votos. O resultado final será divulgado nos próximos dias após o escrutínio, processo de apuração oficial.
Direita consolida hegemonia na América do Sul
A vitória de Espriella dá à direita o controle de sete dos 12 países sul-americanos, superando a esquerda. O avanço conservador se soma às vitórias recentes de José Antônio Kast no Chile (dezembro de 2025) e Rodrigo Paz na Bolívia (outubro de 2025). No Peru, a direitista Keiko Fujimori lidera com 50,111% dos votos, com 99,6% das urnas apuradas, indicando manutenção da tendência conservadora.
Alternância ideológica e riscos à democracia
Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo Iuperj, explica que o continente vive uma guinada conservadora após o esgotamento do ciclo das commodities. “O que a gente tem agora é um continente bem dividido ideologicamente, com dificuldade de diálogo entre governos de diferentes orientações”, afirma. Já Regiane Nitsch Bressan, professora da Unifesp, alerta que a alternância pendular, em contextos de fragilidade institucional, pode levar a governos autoritários.
Onda rosa e refluxo conservador
No início dos anos 2000, a “onda rosa” trouxe governos de esquerda impulsionados pelo boom das commodities. Após a crise de 2008, a direita recuperou espaço. Em 2015, a esquerda governava oito países; em 2018, a direita passou a liderar. Atualmente, seis países são governados por cada lado, mas a direita leva vantagem numérica com a vitória colombiana.
Desafios democráticos na região
O índice de democracia do V-Dem mostra altos e baixos na América do Sul. Bressan destaca que a desigualdade e a pobreza alimentam a descrença nas instituições, tornando a população suscetível a discursos populistas. “O povo latino-americano, cansado das instituições, é seduzido por governos que prometem soluções rápidas, mesmo que autoritários”, diz. Santoro complementa que a polarização inviabiliza a integração regional e o enfrentamento a desafios como o crime organizado.



