Estudo revela defasagem na conectividade aérea latino-americana
Um estudo do Conselho Internacional de Aeroportos da América Latina e Caribe (ACI-LAC) revela que a conectividade aérea na região é 42% inferior à de mercados mais liberalizados, como América do Norte e Europa. A pesquisa aponta que a baixa presença de companhias aéreas de baixo custo (low-cost) e a alta dependência de conexões em poucos aeroportos são fatores determinantes para esse atraso.
Fatores que explicam a diferença
De acordo com o levantamento, a América Latina possui uma densidade de rotas aéreas significativamente menor do que regiões com políticas de céus abertos mais avançadas. Enquanto na Europa e na América do Norte há uma ampla oferta de voos diretos e concorrência entre diversas companhias, na América Latina a malha aérea é concentrada em hubs tradicionais, como São Paulo, Cidade do México e Buenos Aires. Isso limita as opções para passageiros e encarece as passagens.
Outro ponto destacado é a escassez de operadoras low-cost. Enquanto em mercados liberalizados as companhias de baixo custo representam uma parcela expressiva do mercado, na América Latina sua participação ainda é tímida, com exceção de alguns países como Brasil e Colômbia. A falta de concorrência reduz a pressão por tarifas mais baixas e inibe o crescimento do setor.
O acordo do Céu Único Sul-Americano
O estudo foi divulgado em meio às discussões sobre o memorando do Céu Único Sul-Americano, iniciativa que busca integrar o espaço aéreo da região, facilitando a operação de voos entre países sem a necessidade de acordos bilaterais. A proposta prevê a eliminação de restrições de capacidade e frequência, além da simplificação de processos alfandegários e de imigração. Especialistas acreditam que a implementação do acordo poderia impulsionar a conectividade e reduzir os preços das passagens.
Impactos econômicos e turísticos
A baixa conectividade aérea tem impactos diretos no turismo e nos negócios. Segundo a ACI-LAC, a região perde oportunidades de desenvolvimento econômico devido à falta de integração aérea. Países como Chile e Peru, que adotaram políticas mais abertas, já observam benefícios, como aumento no fluxo de turistas e maior competitividade das companhias aéreas. No entanto, ainda há resistência de alguns governos em abrir seus mercados por receio de prejudicar as companhias nacionais.
O estudo conclui que, para alcançar níveis de conectividade semelhantes aos de mercados liberalizados, a América Latina precisa avançar na implementação do Céu Único e incentivar a entrada de novas operadoras, especialmente as de baixo custo. A ACI-LAC recomenda ainda a modernização da infraestrutura aeroportuária e a harmonização de regulamentações entre os países.



