O chefe da Otan, Mark Rutte, utilizou uma enxurrada de elogios e números positivos para tentar apaziguar as crescentes tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a aliança militar, em meio às críticas do republicano sobre a falta de apoio europeu na guerra contra o Irã. Em visita à Casa Branca nesta quarta-feira, Rutte destacou o aumento nos gastos com Defesa entre os países-membros, atribuindo o progresso diretamente à influência de Trump.
Elogios e números para acalmar ânimos
Rutte afirmou que, desde 2014, os aliados europeus e o Canadá adicionaram US$ 700 bilhões em gastos com Defesa, e que, em 2026, 23 dos 32 membros da Otan atingirão a meta de investir 2% do PIB no setor. Segundo ele, isso é um reflexo direto da liderança de Trump. "O presidente Trump merece crédito por isso", disse o secretário-geral, tentando suavizar o clima antes da reunião de cúpula da Otan, marcada para ocorrer na Turquia em duas semanas.
Insatisfação de Trump persiste
Apesar dos esforços, a insatisfação de Trump com a aliança permanece evidente. O presidente americano voltou a criticar os europeus por não contribuírem o suficiente para a guerra contra o Irã, que começou após o ataque a um navio dos EUA no Golfo Pérsico. Trump tem pressionado por uma participação mais ativa dos aliados, especialmente de países como Itália, Reino Unido, Alemanha, França e Espanha, que, segundo ele, estão aquém do esperado.
Reunião de cúpula marcada por tensões
A reunião na Turquia promete ser tensa, com ameaças de Washington de reduzir a presença militar americana na Europa caso os aliados não aumentem seus gastos. Rutte, por sua vez, tenta evitar um racha na aliança, mas reconhece que o diálogo com Trump é desafiador. "Precisamos mostrar resultados concretos", disse ele, referindo-se aos números de investimento.
Impacto na aliança militar
Analistas apontam que a crise na Otan pode ter consequências de longo prazo para a segurança global, especialmente em um momento de conflitos no Oriente Médio. A guerra contra o Irã já mobiliza forças americanas e britânicas, mas a falta de apoio de outros membros preocupa. Rutte tenta equilibrar as demandas de Trump com a realidade orçamentária dos países europeus, muitos dos quais enfrentam pressões internas para não aumentar gastos militares.
O encontro na Casa Branca foi visto como uma tentativa de salvar a cúpula, mas o clima permanece incerto. Trump não descarta novas críticas públicas, e a Otan corre o risco de sair enfraquecida do encontro na Turquia.



