O Brasil vive um momento de ouro na produção de cacau fino, com chocolates artesanais brasileiros conquistando prêmios em salões internacionais. Luisa Abram, caçadora de cacau selvagem amazônico e fundadora de sua fábrica de chocolates, afirma: “O Brasil é a bola da vez”. Produtores estão deixando de vender apenas cacau commodity para investir em processos pós-colheita que transformam o produto em cacau fino, agregando valor, sabor e aroma.
Terroirs brasileiros e premiações
O cacau brasileiro se beneficia de diferentes terroirs na Amazônia, sul da Bahia e Espírito Santo. Luisa Abram trabalha com origens amazônicas, como o Rio Juruá, cujo chocolate 70% — descrito como “flores em forma de chocolate” com notas de pitanga e lichia — ganhou medalha de bronze na Academy of Chocolate em 2019. Já o cacau selvagem do Rio Acará rendeu medalha de ouro em 2018 na mesma premiação. “Essa é a minha barra mais ‘chocolate’, ainda que apresente a autenticidade amazônica”, explica Luisa.
Parcerias e práticas pós-colheita
Desde 2014, Luisa realiza expedições na Amazônia para encontrar produtores parceiros. “Eu escolho trabalhar com pessoas e não com um cacau específico”, diz. A adoção de boas práticas de colheita, seleção, fermentação e secagem é essencial para a qualidade do cacau fino.
Reinvenção do cacau baiano
Na Bahia, a cacauicultora Juliana Aquino, da fazenda Vale Potumujú, lidera uma transformação. Após a vassoura-de-bruxa, os produtores investiram em clones resistentes, mas agora o foco é a qualidade sensorial. “Criamos protocolos específicos para colheita e pós-colheita”, explica Juliana. Sua marca Baianí conquistou medalha de prata na Academy of Chocolate com a versão intensa 70%.
Reconhecimento internacional
Para Juliana, os prêmios de marcas tree to bar e bean to bar brasileiras despertam o interesse de grandes marcas internacionais pelo cacau fino do país. O movimento, iniciado há pouco mais de uma década, mostra que o Brasil tem potencial para se consolidar como referência mundial em cacau de qualidade.



