O acordo entre Mercosul e União Europeia cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, reunindo cerca de 720 milhões de consumidores e PIB agregado de aproximadamente US$ 22 trilhões. A expectativa é de que a redução gradual de tarifas e a maior previsibilidade regulatória ampliem a competitividade das empresas brasileiras e facilitem sua integração às cadeias globais de valor.
Estudo da ApexBrasil revela 543 oportunidades comerciais
Estudo elaborado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) identificou 543 oportunidades comerciais com eliminação tarifária imediata na União Europeia. Juntas, elas representam um mercado de US$ 43,9 bilhões em importações anuais feitas pelo bloco europeu. Para ampliar o conhecimento de empresários brasileiros sobre as novas oportunidades, a ApexBrasil, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), realiza a série de eventos Conexões Produtivas – Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia em diversas regiões do País. A parceria inclui também a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e conta com apoio do Sebrae, Inpi, Inmetro e BNDES. Nesta sexta-feira, 27, acontece a edição São Paulo.
Nova pauta de exportações: de commodities a manufaturados
Historicamente associada à exportação de commodities, a relação comercial entre Brasil e Europa tende a ganhar novos contornos. Os estudos da ApexBrasil apontam oportunidades relevantes para setores como máquinas e equipamentos de transporte, bens de capital, produtos químicos, manufaturas industriais e insumos intermediários. Entre os setores com maior potencial de crescimento está o de máquinas e equipamentos de transporte, que concentra 305 oportunidades e um mercado de importações estimado em US$ 27,4 bilhões. Motores, compressores, bombas, válvulas, transformadores e componentes industriais aparecem entre os produtos com maior potencial de inserção. Também se destacam os segmentos de artigos manufaturados, instrumentos profissionais, produtos químicos e materiais utilizados na construção civil. Em vários desses mercados, o Brasil já possui presença consolidada e pode ampliar sua participação com a eliminação gradual das barreiras tarifárias. A perspectiva reforça uma transformação gradual da pauta exportadora brasileira, ampliando a participação de bens com maior valor agregado e reduzindo a dependência de produtos primários.
Transição energética: minerais estratégicos e energia limpa
Outro eixo estratégico da aproximação entre os dois blocos está na transição energética. A busca europeia por fontes renováveis, eletrificação e segurança de suprimentos tem ampliado a demanda por minerais estratégicos utilizados em baterias, semicondutores, equipamentos industriais avançados e sistemas de geração de energia. Nesse contexto, o Brasil reúne atributos considerados competitivos. Cerca de metade da matriz energética nacional é composta por fontes renováveis, enquanto aproximadamente 90% da matriz elétrica tem origem limpa. Somam-se a isso a disponibilidade de recursos minerais estratégicos, a capacidade de expansão produtiva e uma intensidade de carbono inferior à observada em importantes economias industriais. O levantamento da ApexBrasil sobre minerais críticos mostra que as exportações brasileiras desses produtos para a União Europeia alcançaram US$ 4,3 bilhões em 2025. Entre os destaques estão cobre, níquel e grafite, insumos fundamentais para a economia de baixo carbono e para o avanço das tecnologias ligadas à eletrificação e à digitalização.
Conexão global e desafios regulatórios
A aproximação comercial ocorre em um momento em que a União Europeia já ocupa papel central na economia brasileira. O bloco é hoje o principal investidor estrangeiro no Brasil, com presença em áreas como infraestrutura, energia, indústria, inovação e serviços. Para transformar oportunidades em negócios, entretanto, as empresas precisarão avançar em temas como conformidade regulatória, certificações, sustentabilidade e adaptação às exigências do mercado europeu. O acordo reduz barreiras tarifárias, mas não elimina a necessidade de atender aos elevados padrões técnicos e ambientais adotados pelo bloco. Nesse processo, a ApexBrasil atua como parceira da internacionalização das empresas brasileiras, oferecendo inteligência de mercado, capacitação, promoção comercial, missões empresariais, participação em feiras internacionais e aproximação com compradores globais. Para a agência, mais do que ampliar exportações, o acordo entre Mercosul e União Europeia sinaliza uma oportunidade para que o Brasil fortaleça sua presença internacional em setores de maior sofisticação produtiva, amplie sua participação nas cadeias globais de valor e consolide sua posição como fornecedor estratégico em uma economia cada vez mais orientada por inovação, sustentabilidade e segurança de suprimentos.



