Venezuela: terremotos deixam 32 mortos e 70 feridos; resgate continua
Venezuela: terremotos deixam 32 mortos e 70 feridos

Dois terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), com menos de um minuto de diferença, provocando a morte de 32 pessoas e ferindo outras 70, segundo balanço divulgado pela presidente interina Delcy Rodríguez na madrugada desta quinta (25). O governo venezuelano decretou estado de emergência, suspendeu aulas e todos os serviços não essenciais para concentrar esforços no resgate de vítimas sob os escombros.

Detalhes dos tremores e danos

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o primeiro tremor às 19h (horário de Brasília), com epicentro próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 km de Caracas, e profundidade de 13 km — considerada próxima da superfície, o que intensifica os efeitos em edifícios. O segundo abalo, de magnitude 7,5, ocorreu segundos depois. Pelo menos 20 réplicas foram registradas nas horas seguintes.

Prédios e casas desabaram em Caracas e em outras cidades. Imagens mostram equipes de resgate trabalhando nos escombros de um edifício na capital. No litoral, um hotel de pelo menos oito andares desabou completamente. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar foi fechado após sofrer danos estruturais. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para evitar tragédias maiores.

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Mortos e feridos confirmados

Em pronunciamento na televisão estatal, Delcy Rodríguez confirmou 32 mortos e 70 feridos. O prefeito de Chacao, município da região metropolitana de Caracas, informou que ao menos 16 pessoas ficaram feridas após o desabamento de duas estruturas. A presidente interina prestou solidariedade às famílias das vítimas e anunciou medidas emergenciais.

O USGS estima que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil, considerando a magnitude e a densidade populacional. Desde 1900, a Venezuela não sofria um tremor tão forte.

Ajuda internacional

Dezenas de chefes de estado e governo se solidarizaram e ofereceram ajuda humanitária, produtos médicos e equipes de resgate. A lista inclui Estados Unidos, Turquia, México e Portugal, países que já sofreram terremotos devastadores. Segundo Rodríguez, os primeiros socorristas estrangeiros devem chegar nas próximas horas. Ela agradeceu à comunidade internacional pelo apoio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e afirmou ter mobilizado todas as agências do governo americano para ajudar. Os Estados Unidos já enviaram uma equipe de assistência a desastres e um grupo de trabalho para coordenar a assistência crítica ao povo venezuelano.

A China, que era a principal compradora de petróleo venezuelano antes da captura de Nicolás Maduro por militares americanos, afirmou que fará o possível para ajudar. O governo de Pequim disse que, até agora, não há confirmação de chineses mortos.

Tremores sentidos no Brasil

A Rede Sismográfica Brasileira informou que os terremotos foram registrados por estações de monitoramento no Brasil e sentidos por moradores de Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá, além de outros municípios da Região Norte. O sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, afirmou: "Apesar do susto que podem causar nas pessoas por aqui, a distâncias como essa não há chance de danos para as cidades brasileiras."

Alerta de tsunami cancelado

O Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos emitiu inicialmente um aviso para Porto Rico, Ilhas Virgens americanas e britânicas, e mencionou a possibilidade de ondas perigosas em Aruba, Curaçao e Bonaire. O alerta foi cancelado cerca de uma hora depois.

Contexto sísmico e político

A Venezuela está localizada em uma área de intensa atividade sísmica, no encontro das placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. Segundo o USGS, cerca de 30 mil pessoas morreram em um terremoto que atingiu Caracas e Mérida em 1812.

O país passa por um momento de instabilidade política e econômica, seis meses após a operação militar dos Estados Unidos que capturou o então ditador Nicolás Maduro. Delcy Rodríguez, herdeira do chavismo, lidera um governo que sofre forte intervenção do presidente americano Donald Trump, que desde então obteve controle do petróleo venezuelano e fechou parcerias comerciais.

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