O Vaticano excomungou os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em um anúncio feito na madrugada desta quinta-feira, 2. A Santa Sé declarou que os adeptos do grupo devem ser considerados cismáticos e excomungados, em uma nota oficial divulgada pela Igreja Católica.
Nomeação de bispos considerada ato cismático
A Igreja Católica classificou a nomeação de quatro novos bispos pela Fraternidade como um "ato de natureza cismática", ou seja, de dissidência. Segundo a nota, "os ministros sagrados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X administram os sacramentos de forma ilícita; o sacramento da penitência por eles administrado e o matrimônio por eles assistido são inválidos".
Os bispos da FSSPX, Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay, bem como os bispos recém-consagrados, incorreram "ipso facto" na excomunhão "latae sententiae", uma penalidade automática por atos considerados graves contra a unidade da Igreja.
Novos bispos consagrados sem aprovação do Vaticano
Os padres Pascal Schreiber, da Suíça; Michael Goldade, dos Estados Unidos; Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier, ambos da França, foram promovidos ao episcopado à revelia do Vaticano. A consagração ocorreu sem o mandato papal, o que levou à medida extrema de excomunhão.
A Fraternidade Sacerdotal São Pio X, fundada pelo arcebispo Marcel Lefebvre em 1970, é conhecida por sua postura tradicionalista e por rejeitar reformas do Concílio Vaticano II. As relações com o Vaticano têm sido tensas há décadas, com tentativas de reconciliação que não impediram o atual rompimento.
O Vaticano finaliza a mensagem afirmando que "a Igreja, como mãe atenciosa, acolherá com sincero afeto e viva solicitude todos aqueles que desejam retornar à plena comunhão". A porta para o diálogo permanece aberta, mas a excomunhão representa um duro golpe nas relações entre a Santa Sé e o grupo tradicionalista.



