Rã-touro invasora da América do Norte ameaça fauna em Santa Catarina
Rã-touro invasora ameaça fauna de Santa Catarina

A rã-touro (Lithobates catesbeianus), espécie exótica invasora originária da América do Norte, foi registrada pela primeira vez em Santa Catarina no ano de 2025, acendendo um alerta entre pesquisadores e órgãos ambientais. O animal, que pode pesar até 1,5 kg e medir mais de 20 centímetros, foi encontrado em Florianópolis, capital do estado, e representa uma séria ameaça à fauna nativa.

Primeiro registro e monitoramento

O primeiro avistamento da rã-touro em território catarinense ocorreu em 2025, segundo informações da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Desde então, equipes de biólogos e técnicos ambientais realizam monitoramento constante para evitar que a espécie se estabeleça e se expanda para áreas de preservação, como parques e reservas ecológicas.

A rã-touro é conhecida por sua alta capacidade reprodutiva — uma fêmea pode depositar até 20 mil ovos por desova — e por seu apetite voraz, alimentando-se de anfíbios, peixes, aves e até pequenos mamíferos. Essas características a tornam uma predadora eficiente e uma concorrente direta das espécies nativas.

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Riscos para a biodiversidade e economia

Além do impacto direto sobre a fauna local, a rã-touro pode transmitir doenças, como o fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis), responsável pelo declínio de populações de anfíbios em todo o mundo. “A introdução dessa espécie pode desencadear um desequilíbrio ecológico de grandes proporções”, alerta o biólogo Márcio Borges-Martins, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que registrou a imagem do animal.

O impacto econômico também é uma preocupação. Em outras regiões do Brasil e do mundo, a rã-touro já causou prejuízos à agricultura e à piscicultura, ao predar girinos e peixes de viveiros. Em Santa Catarina, estado com forte tradição aquícola, o risco é ainda maior.

Ações de contenção e prevenção

Órgãos como a Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) e o ICMBio estão mobilizados para conter a expansão da espécie. As medidas incluem campanhas de conscientização para evitar que pessoas transportem ou soltem a rã-touro em ambientes naturais, além de ações de captura e remoção dos animais já identificados.

“A prevenção é a ferramenta mais eficaz. Uma vez estabelecida, a erradicação da rã-touro é extremamente difícil e cara”, explica um técnico do ICMBio envolvido no monitoramento. A população é orientada a notificar imediatamente as autoridades caso aviste um exemplar.

Contexto nacional

A rã-touro já é considerada invasora em outras regiões do Brasil, como no Sudeste e Sul, onde foi introduzida para criação comercial e acabou escapando para o ambiente. Em Santa Catarina, o registro é recente, mas o alerta é máximo para que a situação não se agrave. A expectativa é de que, com o monitoramento contínuo e a ação rápida, seja possível evitar que a espécie se consolide no estado.

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