O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como “a maior organização criminosa do Hemisfério Ocidental” em documento divulgado na quarta-feira, 1º de janeiro. A facção brasileira, fundada em 1993 na Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão.
EUA apontam ameaça crescente
“O PCC é hoje a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental e, nos últimos anos, expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão. Nos EUA, a facção representa uma ameaça criminal real e crescente”, afirma o comunicado do Tesouro americano. Segundo o governo, a facção explorava o sistema financeiro dos EUA para lavar dinheiro do tráfico de drogas, representando uma ameaça à segurança nacional por meio de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e contrabando de dinheiro em espécie.
Fundação e primeiros anos
O PCC surgiu no presídio conhecido como “Piranhão”, em Taubaté, interior de São Paulo, onde as condições precárias e brigas frequentes entre detentos eram comuns. O Massacre do Carandiru, em 1992, que matou 111 presos, aumentou a tensão no local. Em 31 de agosto de 1993, durante um campeonato de futebol, oito detentos emboscaram dois presos rivais, Baiano Severo e Garcia, em uma quadra. A ação foi liderada por Geleião e Cesinha, marcando a fundação da facção. José Márcio Felício, o Geleião, morreu de covid-19; ele foi um dos fundadores.
Era Marcola e expansão internacional
Com a ascensão de Marcos Camacho, o Marcola, o PCC adotou características de “irmandades secretas”, com regras mais estruturadas e proibições expressas, além de benefícios e proteção aos presos. Essa fase consolidou a organização como principal força do narcotráfico no Brasil. O foco então se voltou para a ampliação internacional, impulsionada por condenações de lideranças, transferências para presídios federais e medidas que dificultavam a comunicação nas prisões – o celular foi crucial para a expansão nos anos 2000.
Rivalidades e assassinatos internos
Nos últimos anos, nomes como André do Rap, Fuminho e Cabelo Duro ganharam força na Baixada Santista. Em 2018, Gegê do Mangue, liderança do PCC, proibiu que a estrutura da facção fosse usada para fins particulares. Gegê foi assassinado a tiros em Aquiraz, Ceará, em uma suposta emboscada. Uma semana depois, Cabelo Duro foi morto, apontado como assassino a mando de Fuminho. A revelação abalou a organização, pois Gegê era “irmão” batizado, e Fuminho não, o que violava as regras da cúpula.
Execução de delator e ex-delegado
Em novembro de 2024, o delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach foi morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de Guarulhos, enquanto colaborava com o Ministério Público de SP. O ataque também matou o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais. As investigações revelaram envolvimento de policiais militares: o soldado Ruan Silva Rodrigues e o cabo Denis Antônio Martins são apontados como atiradores, e o tenente Fernando Genauro da Silva como motorista. Eles podem pegar até 51 anos de prisão. O PCC também é apontado como mandante do assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, ocorrido como vingança, segundo o MP.
Presença global e números
Conforme reportagem do Estadão de junho de 2025, o PCC tem mais de 2 mil “soldados” distribuídos por pelo menos 28 países, segundo mapeamento do MP-SP. Na Europa, Portugal concentra o maior número, com 87 membros, seguido por Espanha (26), França (11), Holanda, Irlanda e Itália (3 cada), Bélgica, Inglaterra e Suíça (2 cada), e Alemanha, Sérvia e Turquia (1 cada). Na América do Sul, Paraguai tem 699 integrantes, Venezuela 656 e Bolívia 146.



