No século 17, era comum as pessoas dormirem em dois turnos durante a noite, um fenômeno conhecido como sono bifásico. Essa prática, hoje esquecida, foi descoberta pelo historiador Roger Ekirch ao analisar depoimentos judiciais antigos nos Arquivos Nacionais do Reino Unido.
Em 1699, na Inglaterra, a menina Jane Rowth testemunhou que ela e sua mãe haviam acordado do 'primeiro sono' quando dois homens apareceram na janela. A mãe de Jane saiu com eles e foi assassinada. O termo 'primeiro sono' intrigou Ekirch, que percebeu que a interrupção do sono era considerada normal na época.
Ekirch encontrou referências ao sono bifásico em diversas fontes, como 'Os Contos da Cantuária', de Geoffrey Chaucer, e no livro 'Beware the Cat', de William Baldwin. O intervalo entre os dois sonos era usado para atividades como fumar, conversar ou até cometer crimes.
O historiador concluiu que o sono bifásico era comum entre o início da Idade Média e a Revolução Industrial, mas caiu em desuso com a iluminação artificial e a padronização dos horários de trabalho.



