A história de 30 anos de luta para salvar a anta brasileira ganhou um documentário emocionante. 'ANTA – O Filme' acompanha a trajetória da pesquisadora Patrícia Medici, que dedicou três décadas à conservação do maior mamífero terrestre do Brasil, a anta (Tapirus terrestris).
Uma vida dedicada à anta
Em 1996, Patrícia iniciou um projeto pioneiro do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) para proteger a espécie. Ela fundou a Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), trabalho que definiu sua vida profissional e pessoal. Classificada como vulnerável à extinção no Brasil, a anta enfrenta ameaças como desmatamento, fragmentação de habitats e atropelamentos em rodovias, colocando em risco processos ecológicos essenciais para a biodiversidade.
Conhecida como 'jardineira das florestas' por seu papel ecológico, a anta está intimamente ligada ao nome de Patrícia. A relação entre elas foi construída ao longo de 30 anos de pesquisa e dedicação.
ANTA – O Filme
Dirigido por João Marcos Rosa e produzido pela NITRO Histórias Visuais, o documentário surgiu de uma conversa despretensiosa entre a pesquisadora e o fotógrafo. Inicialmente, Patrícia queria celebrar seu trabalho com produções audiovisuais, mas o resultado foi um filme de 80 minutos que retrata a realidade da espécie e valoriza as relações humanas na conservação.
“O filme chama ANTA, mas é um filme sobre a Patrícia, e elas têm características em comum. Em nenhum momento ela fala sobre desistir. Mostra batalha, dificuldade, mas não desiste. A espécie também resiste. É um filme sobre resiliência”, destaca Rosa.
Durante um ano e meio, a equipe percorreu milhares de quilômetros em oito estados e cinco biomas: Mata Atlântica, Pantanal, Cerrado, Caatinga e Amazônia. “Nossa ideia nunca foi fazer um filme institucional, pensamos em algo poético e livre. O resultado está perfeito”, comenta Patrícia.
Amizade e emoção
O lado humano é destaque, especialmente a amizade entre Patrícia e o auxiliar de campo José Maria Aragão, o 'Zé'. “Eles têm uma relação de 30 anos, um vínculo parental, de irmão, pai e filha. É o ponto alto do filme”, afirma Rosa. As entrevistas dentro do carro trouxeram naturalidade às falas.
Um filme para sentir e refletir
A câmera se torna 'invisível', aproximando o espectador da experiência. “O filme faz pensar e inspira. Mostramos histórias humanas por trás da conservação, apontando problemáticas que afetam outras espécies. A mensagem é que todos podem fazer algo”, finaliza Patrícia.
Turnê de exibição
A estreia foi em 3 de junho no Rio de Janeiro, com exibições em São Paulo e Belo Horizonte. No dia 23 de junho, a equipe estará em Brasília, no Cine Cultura – Liberty Mall, às 19h. Ingressos limitados: incabbrasil@gmail.com. O filme também será exibido em festivais, escolas e eventos intimistas, com previsão de sessões em Campo Grande, Teodoro Sampaio, Carajás e interior de São Paulo. Cidades interessadas podem entrar em contato.



