Mogi das Cruzes em 2002: cidade e vida dos moradores na época do penta
Mogi das Cruzes em 2002: como era a cidade na época do penta

Você sabe como era Mogi das Cruzes no ano em que o Brasil conquistou o Pentacampeonato da Copa do Mundo? Com o primeiro jogo do Brasil no Mundial de 2026, neste sábado (13), relembre como era a cidade durante a campanha da Seleção Brasileira em 2002.

A quinta estrela da Seleção Brasileira foi conquistada em 2002, durante a Copa do Mundo disputada no Japão e na Coreia do Sul. Assim como o restante do país, os moradores de Mogi das Cruzes celebraram a vitória.

Naquele ano, a cidade era menor do que é hoje. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade tinha pouco mais de 342 mil habitantes em 2002. A estimativa para 2025 é de cerca de 470 mil moradores, um aumento de 37,41%.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Os torcedores também precisaram adaptar a rotina para acompanhar a Seleção Brasileira. Como os jogos aconteciam do outro lado do mundo, a diferença do horário fez com que as partidas fossem transmitidas durante a madrugada ou às primeiras horas do dia. Por causa dos horários, muitos torcedores trocaram os bares pelas padarias para acompanhar os jogos da Copa.

Com uma população menor, Mogi das Cruzes também tinha uma frota reduzida. Em 2002, havia cerca de 86 mil veículos registrados na cidade. Em 2026, esse número chegou a 303 mil.

Administração municipal

Em 2002, Mogi das Cruzes era administrada pelo então prefeito Junji Abe, que cumpria o primeiro de dois mandatos consecutivos. Abe foi eleito em 2000 com 90.612 votos e reeleito em primeiro turno em 2004, com 102.689 votos. Segundo o Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), ele foi o primeiro prefeito da cidade a exercer dois mandatos consecutivos.

Maternidade superlotada

Enquanto a população acompanhava a campanha da Seleção Brasileira, outros assuntos também chamavam a atenção dos moradores. Em 2002, um dos principais problemas enfrentados pela cidade era a superlotação das maternidades. A situação dos berçários era frequente nos noticiários da época.

A Santa Casa de Mogi das Cruzes passava por obras no berçário e no Centro Obstétrico, o que reduzia a capacidade de atendimento. Ao mesmo tempo, os 21 médicos que atuavam no setor apresentaram pedido de demissão coletiva. A crise era tão grave que o hospital enfrentava dificuldades até para transferir pacientes para outras unidades. O número de partos caiu cerca de 70%, sem previsão de normalização.

As autoridades chegaram a orientar as gestantes a procurar outros hospitais. Segundo relatos da época, a superlotação colocava mães e bebês em risco. No mês em que o Brasil conquistou o pentacampeonato, a unidade atendia cerca de 30 recém-nascidos, apesar de ter capacidade para apenas 13. O problema diminuiu ao longo dos anos, mas continuou sendo um desafio para a cidade. Em 2026, Mogi das Cruzes inaugurou uma maternidade municipal. No entanto, os partos devem começar apenas em agosto. Atualmente, a unidade atende pacientes do programa Mãe Mogiana.

Estradas em transformação

A rodovia Pedro Eroles (SP-088), conhecida como Mogi-Dutra, passou por grandes mudanças desde 2002. Na época, a via tinha pista simples, e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) começava os preparativos para as obras de duplicação. As obras duraram mais de dois anos e custaram mais de R$ 68 milhões. Considerando a correção pela inflação, esse valor equivale hoje a pouco mais de R$ 353 milhões, segundo a calculadora de correção monetária do Banco do Brasil.

Além da Mogi-Dutra, outra obra importante estava em andamento em 2002. A avenida Álvaro de Campos Carneiro, que liga a avenida Japão à rodovia Mogi-Bertioga, também estava sendo construída.

Parque Centenário ainda não existia

Em 2002, o Parque Centenário ainda não existia. Antes da criação do parque, a área foi usada para a extração de areia entre as décadas de 1970 e 1990. Depois, o local passou a funcionar como pesqueiro. O terreno era particular e foi desapropriado por causa de dívidas de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Em parte da área, foi construída a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae).

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Em 2007, a prefeitura lançou um projeto para homenagear o centenário da imigração japonesa no Brasil, comemorado no ano seguinte. As obras começaram em março de 2007 e foram concluídas em junho de 2008. O parque foi inaugurado em 28 de junho de 2008, durante as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil. Os lagos do parque foram formados nas antigas cavas usadas para a extração de areia e, por isso, são artificiais. Em alguns trechos, eles chegam a 5 metros de profundidade.

Viaduto novo em Brás Cubas

A região de Brás Cubas mudou após o pentacampeonato do Brasil. No fim de 2002, foi inaugurado o Viaduto Argeu Batalha, construído para facilitar a travessia sobre a linha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O viaduto foi projetado pela CPTM e construído pela Prefeitura de Mogi das Cruzes. A obra fez parte de um projeto da Secretaria Municipal de Trânsito para reduzir o número de passagens em nível na cidade. O objetivo era melhorar o trânsito com o fechamento de cinco passagens em nível.

Atualmente, Mogi das Cruzes tem nove passagens em nível espalhadas pelo município. Das nove, três são operadas pela Prefeitura: nas avenidas Valentina de Mello Freire Borenstein, Cavalheiro Nami Jafet e Manoel Bezerra de Lima Filho. Outras três são administradas pela CPTM, em Jundiapeba, na rua Presidente Campos Salles e na rua Doutor Deodato Wertheimer. As três restantes ficam sob responsabilidade da MRS Logística, sendo uma na avenida Ricieri José Marcatto e duas em Sabaúna. Na passagem em nível da rua Doutor Deodato Wertheimer, o trânsito de veículos foi interrompido. Atualmente, o local é usado apenas por pedestres.

Transporte público: as peruas

Em 2002, os moradores de Mogi das Cruzes contavam com uma opção de transporte que não existe mais na cidade: as peruas. O transporte complementar foi regulamentado no fim de maio de 2002, com a assinatura do decreto que autorizou a operação das peruas na cidade. Ao todo, 60 veículos circulavam pela cidade para reforçar o atendimento do transporte público. Metade operava pela manhã e a outra metade à tarde.

A tarifa custava R$ 1,30, o mesmo valor cobrado nos ônibus. O sistema também aceitava vale-transporte e passe escolar. Atualmente, a tarifa do transporte coletivo em Mogi das Cruzes é de R$ 5,50. As peruas circulavam todos os dias, das 5h à meia-noite. Nos horários de pico, o intervalo entre as viagens era de 30 minutos. Nos demais períodos, as partidas aconteciam a cada uma hora.