Roland Garros pet friendly: cães invadem torneio e viram tendência
Roland Garros pet friendly: cães invadem torneio

Será que podemos considerar Roland Garros um torneio pet friendly? Para os cães dos jogadores de tênis, sem dúvida, ele é. As dez credenciais emitidas em nome dos pets são uma prova disso. Eu e o Federer — meu cachorro, não o tenista — fomos assistir à final entre Zverev e Cobolli no hotel Pullman Guarulhos, em um evento com o nome na lista. Sim, o Federer pet tinha sido convidado. Aproveitei para entender os benefícios dos cães na vida dos tenistas e vou cantar a bola: o serviço de concierge pet só tende a crescer. Se você gosta de tênis e cachorro, siga lendo essa reportagem.

A história do nome Federer

A Ella, minha filha-pet, que é o grande amor da minha vida, partiu de uma doença devastadora no começo de julho de 2024. Eu estava desolada e mergulhada em uma tristeza profunda. Resolvi registrar em um livro a história da nossa vida juntas e fui passar alguns dias no hotel Itapemar, em Ilhabela, para escrevê-lo.

Eu estava sentada nas mesas do deck do café da manhã. Era um dia de sol. De um lado estava o mar azul, do outro, as pedras imensas e entre elas, a quadra de tênis do hotel. Eu já a havia visto inúmeras vezes, mas pela primeira vez, pensei: quem sabe eu faço uma aula de tênis? Eu precisava gostar de alguma coisa que me ajudasse a respirar porque a ausência física da Ella havia deixado o mundo sem sentido. Eu vivi um luto profundo e necessário.

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Imagina começar a jogar tênis com 51 anos? Quem joga sabe que leva anos para aprender. As primeiras aulas são complicadas. Por mais que o professor explique a técnica, nossa mente leva um bom tempo para executar os movimentos. E mesmo assim, eu me apaixonei pelo tênis.

Voltei para São Paulo, fui apresentada por uma amiga para o professor Paolo Scala, que tem a quadra coberta perto do aeroporto de Congonhas e, desde então, jogo tênis semanalmente por lá. No começo, eu só queria que a bolinha passasse a rede. Hoje, consigo trocar bola com o professor. Estou radiante.

A cada aula, com a prática do exercício físico, o meu corpo produzia dopamina e endorfina. Estes dois antidepressivos naturais aliviavam a minha dor e me faziam seguir adiante. Toda vez que eu ia sacar, olhava a tatuagem da Ella no meu braço esquerdo e dizia: estou aqui por ti, meu amor. Posso afirmar sem medo de exagerar: o tênis salvou a minha vida.

Quando recebi a foto do sharpei, que parecia muito com a Ella e estava para adoção, por ser cego de um olho, resolvi abrir a vaga de "irmão da Ella" na minha vida. E chamá-lo de Federer.

Espero um dia conhecer o grande tenista Roger Federer e agradecê-lo por nos encantar com seu jogo de mestre. Espero que ele não se importe de eu ter usado seu sobrenome no meu sharpei. Caro Federer, saiba que meu cachorro é muito mais do que um animal de estimação, ele é o irmão da Ella, é o meu novo filho. E o tênis... como eu disse antes, ele salvou a minha vida.

Roland Garros é pet friendly

E vejam bem, senhoras e senhores, o mundo do tênis foi invadido pelos cães. No último torneio de Roland Garros, em Paris, dez credenciais foram impressas com o nome dos pets dos tenistas que jogaram o torneio. Aryna Sabalenka chegou com o cavalier Ash. Anna Kalinskaya com a Bella. E o ganhador de 2026, Alexander Zverev, recebeu o troféu com a dachshund Mishka nos braços.

O que aconteceu? Por que essa deliciosa invasão de cães? A resposta é: eles fazem bem para a saúde mental dos atletas. Conforme explica a psicóloga Juliana Sato: "O cão age sobre o que mais atrapalha quem vive sob pressão, o estresse. Sua presença ajuda a baixar a ativação do corpo antes de um momento tenso."

Sato cita a publicação assinada pelos pesquisadores Marvin, Sorenson e Stevens no European Journal of Sport Science, que aborda a atuação do animal em três frentes: a fisiológica, a psicológica e a social. Com a vantagem de acolher sem cobrar desempenho.

Neste estudo também é citado o caso do cão de terapia Remington, que acompanha o time de beisebol da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Segundo a comissão técnica, sua presença acelera a recuperação das lesões, anima os atletas e melhora o estado emocional de todos.

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Em entrevista para o site rolandgarros.com, a semifinalista ucraniana Marta Kostyuk relata que viaja com seus dois cães, Mander e Chich, e que sente-se mais segura na presença deles. O simples fato de levá-los para passear e alimentá-los é algo positivo. Além, é claro, de receber amor incondicional. Há três temporadas, Zizou Bergs leva Copain consigo e afirma que a presença dele o faz sentir-se em casa e o ajuda a relaxar quando está longe das quadras.

Concierge pet em alta

Uma tendência de mercado que tende a crescer é o serviço de concierge pet em hotéis. Eu tenho indicado para os meus associados da Universidade Pet Friendly disponibilizar a contratação de pet sitters. Não há por que perder uma reserva caso o hóspede precise deixar seu pet sozinho no quarto por um número maior de horas.

Considerando que muitos cães não estão acostumados a ficarem longe de seus tutores em um local desconhecido e que isso pode acarretar em latidos excessivos, móveis roídos e mal-estar para o animal, o serviço de pet sitter cai como uma luva.

Roland Garros tem uma gerente de apoio e relações para cuidar dos jogadores. A francesa Kildine Chevalier, que foi tenista profissional, este ano acrescentou uma tarefa à lista da sua equipe: cuidar também dos pets dos jogadores, que tiveram livre acesso às áreas exclusivas dos atletas, dog walkers e zonas de descanso. Além de credenciais com seus nomes.

A Petlove oferece este serviço pelo site e pode ser contratado com uma meia dúzia de cliques ou os próprios estabelecimentos podem fazer a conexão entre o serviço dos Heros — como a Petlove chama os profissionais — e os clientes.

A seleção dos Heros (Pet Sitters) é feita por meio de um formulário disponível no site da Petlove. Após o preenchimento, a equipe realiza validações e verificações dos candidatos. Os aprovados seguem para a Escola de Heróis, uma plataforma de capacitação que conta com 61 cursos divididos em cinco módulos, além de avaliações obrigatórias para a certificação.

"Atualmente, a plataforma conta com 1.658 Pet Sitters distribuídos em 233 cidades brasileiras. Cada visita tem duração de 60 minutos. Caso o tutor precise de mais tempo, basta contratar horas adicionais. Nesse período, o Pet Sitter realiza as atividades previamente combinadas com o tutor. Quem assina o Club de Serviços Petlove, que custa R$ 9,90 por mês, recebe 32% de desconto na contratação do pet sitter", explica Murilo Trauer, diretor da vertical de Serviços & SaaS na Petlove.

No final das contas, o trabalho de concierge pet é também uma fonte de renda e novo trabalho para muitas pessoas. A musicista Tânia Dias dá aulas de piano e também trabalha como pet sitter. Amante dos animais e curiosa por natureza, fez curso de monitora de daycare, de primeiros socorros, de gestão de gastos e de adestramento básico e com isso sente-se apta a cuidar de outros animais. "No início, não foi tão rentável. Aprendi a calcular o valor por hora e por distância. Deu muito certo. Sigo a rotina do pet para ele não estranhar, além de sempre fazer uma visita prévia. Mando vídeos diariamente para os pais ficarem tranquilos. Este trabalho compõe uma boa parcela do meu orçamento e os clientes são fiéis", revela satisfeita.

Final de Roland Garros

Eu e o Fe (apelido do meu cachorro) assistimos juntos o jogo do João Fonseca com o Novak Djokovic em casa e isso me despertou o desejo de estar mais envolvida com eventos do tênis, afinal, meu pet se chama Federer.

Portanto, vibrei quando fomos convidados para assistir à final de Roland Garros no hotel Pullman Ibirapuera, que faz parte do ALL Accor, que é a plataforma de reservas e programa de fidelidade da Accor, e também patrocinador oficial de Roland Garros desde 2019.

O Fê é um filhote de sete meses, portanto, eu sabia que deveria fazer um passeio com ele antes de fazê-lo ficar horas sentado ao meu lado. Sendo assim, fui caminhando da minha casa até o hotel. Boa parte do trajeto por dentro do Parque Ibirapuera. Cerca de 40 minutos depois, o Fê tinha feito suas necessidades fisiológicas e cheirado o suficiente para estar zen.

Honestamente? Eu senti que estava entrando em Roland Garros porque o cenário, inspirado no tênis, nos remetia a isso. Logo na entrada, estava a poltrona gigante feita de bolinhas, onde obviamente fui fotografada com o meu cão tenista. Na verdade, havia bolas de tênis por todos os lados. Até os macarons, as trufas e os docinhos ganharam o formato de bolinhas. Aliás, foi servido um brunch que começou com quitutes de café da manhã e seguiu com risoto de queijo, massas e carnes servidos na hora do almoço. Meu cálice de borbulhas não ficou vazio, os garçons iam até as cadeiras de piquenique (com a cor laranja do torneio francês) e poltronas para servir o espumante. Que mordomia! Acho que nem em Paris a plateia foi tão mimada.

Sentamos na primeira fila para dar mais espaço ao Fe. E confesso, foi a melhor decisão que tomei. Vi o jogo de pertinho, no maior conforto. O buffet estava irretocável do começo ao fim. Um sonho!

O que pode ser melhor do que comer e beber bem, de camarote, com o meu cachorro ao meu lado, vendo um jogo espetacular? Uma coisa poderia ter sido melhor: eu queria que meu número tivesse sido sorteado para ter ganhado a raqueteira de Roland Garros. Sim, ainda teve vários sorteios durante os cinco sets.

Entre os famosos estava o Federer (pet) e ninguém menos do que Bruno Soares, que tem um currículo de peso. Foi número 2 do mundo em duplas em 2016, campeão de 35 torneios ATP de duplas, hexacampeão de Grand Slam (três títulos em duplas masculinas e três em duplas mistas), vice-campeão de duplas masculinas de Roland-Garros em 2020, representou o Brasil na Copa Davis por mais de uma década e participou dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e dos Jogos Olímpicos do Rio 2016.

O Bruno conversou com os convidados, autografou as bolinhas de Roland Garros que ganhamos e fez comentários da final. Foi simpático, disponível e até aceitou tirar foto com o Federer.

Chegamos às 9h30 da manhã e fomos embora pelas 16h, o Fe comportou-se superbem e tive o privilégio de ver o pai da Mishka ganhar seu primeiro torneio de Roland Garros. Parabéns, Sacha! Eu estava torcendo por ti. Agora, que já temos uma foto com o Bruno Soares, queremos também uma contigo. Quem sabe?