Vinhos de inverno: técnica brasileira ganha destaque e 2,5 mi de garrafas por safra
Vinhos de inverno: técnica brasileira ganha destaque

Os chamados vinhos de inverno estão se consolidando como uma das marcas registradas da viticultura brasileira. Elaborados com a técnica da dupla poda, que altera a colheita das uvas do verão para os meses de julho e agosto, esses vinhos brancos e tintos já ultrapassam 2,5 milhões de garrafas por safra, conforme cálculos da Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin).

Produção concentrada na Serra da Mantiqueira

A produção provém de mais de 160 novas vinícolas, a maioria instalada na Serra da Mantiqueira, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo. Estima-se que apenas a área em um raio de 100 quilômetros ao redor de Espírito Santo do Pinhal (SP) produza cerca de 1,5 milhão de garrafas por safra, resultado de investimentos que já ultrapassam R$ 1 bilhão em vinhedos e vinificação.

Reconhecimento internacional e medalhas

Os vinhos de inverno vêm conquistando medalhas em concursos internacionais. O exemplo mais recente foi o da revista inglesa Decanter, referência no setor. Das 221 medalhas concedidas a vinhos brasileiros, 137 foram para rótulos elaborados com dupla poda, destaca Tiago Pimentel, idealizador do TurisAgro, principal evento dedicado aos vinhos de inverno. A terceira edição ocorre nos dias 31 de julho e 1º de agosto, no Clube de Campo Caco Velho, em Espírito Santo do Pinhal.

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Desafio da comercialização

Todo esse crescimento em pouco tempo – o Primeira Estrada Syrah, lançado em 2010, foi o primeiro vinho de inverno a chegar ao mercado – agora enfrenta um desafio: como vender todas essas garrafas? Esse objetivo explica o novo formato da terceira edição do TurisAgro, que aposta ainda mais na gastronomia para impulsionar o consumo.

Festival com chefs renomados

Neste ano, o festival reúne degustação de vinhos de 42 vinícolas com aulas e almoços harmonizados preparados por chefs como Morena Leite (Capim Santo), Jefferson Rueda (A Casa do Porco), Tássia Magalhães (Nelita) e Flávio Trombino (Xapuri). Ao todo, quatro chefs de São Paulo e quatro de Minas Gerais cozinharão nas vinícolas e darão aulas ao lado de cozinheiros locais.

“Somos um leão para investir e um gatinho para vender vinhos”, resume Pimentel, repetindo uma frase comum entre produtores. A expectativa é que a presença dos chefs ajude a divulgar os vinhos de inverno e fortaleça não apenas os rótulos da Serra dos Encontros – que reúne Espírito Santo do Pinhal e Santo Antônio do Jardim (SP), além de Jacutinga e Albertina (MG) –, mas toda a produção regional.

Enoturismo como caminho

Os produtores descobriram que o enoturismo é um dos caminhos mais eficientes para alcançar o consumidor final. A proximidade com São Paulo, maior mercado consumidor de vinhos do país, representa vantagem competitiva. A vinícola Guaspari, pioneira na Serra da Mantiqueira, comercializa cerca de 40% de sua produção diretamente na vinícola.

“O conceito de turismo se ampliou, e a gastronomia é a cereja do bolo”, afirma Morena Leite, embaixadora do evento por sua ligação familiar com a região – mudou-se para Espírito Santo do Pinhal com um ano de idade, onde seus avós tiveram fazendas.

Curadoria e programação

A programação gastronômica ficou sob curadoria de Morena Leite e da jornalista Carolina Daher, responsáveis pelas primeiras edições do Festival Fartura. Para a edição na Serra da Mantiqueira, elas contam com consultoria de Lucia Sequerra. Pimentel aposta no novo modelo do festival. “A grande maioria dos produtores de vinhos de inverno chegou ao setor motivada pelo desejo de elaborar seus próprios vinhos. Eles não tinham tradição nem na produção, nem na comercialização”, afirma. “O festival é uma ferramenta poderosa para atrair novos consumidores.”

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