A canjica ocupa um lugar especial na culinária brasileira, especialmente durante as festas juninas. Com o passar dos anos, a receita ganhou adaptações e incorporou ingredientes que não faziam parte de sua versão original, como o leite condensado. Para a chef mineira Marina Leite, resgatar a forma tradicional de fazer o doce é também uma maneira de valorizar sua história e sua identidade cultural.
Origem da canjica: influências indígenas, africanas e portuguesas
Assim como diversas receitas da culinária brasileira, a canjica é resultado do encontro de diferentes culturas. O doce nasceu ainda no período colonial, combinando o milho cultivado pelos povos indígenas com técnicas e influências africanas, além de temperos trazidos pelos portugueses, como canela, cravo e anis-estrelado. De acordo com Marina Leite, a receita passou por transformações ao longo do tempo, especialmente com o avanço da industrialização dos alimentos. Nesse processo, o leite condensado acabou substituindo uma preparação construída a partir de leite, especiarias e outros ingredientes naturais.
Receita tradicional de canjiga cremosa
Para preparar a canjica como manda a tradição, a chef compartilha os ingredientes e o passo a passo. A receita rende uma sobremesa cremosa e aromática, sem uso de leite condensado.
Ingredientes
- 500g de milho branco para canjica
- 1,5L de leite (de preferência leite da roça)
- 320g de açúcar demerara orgânico
- 75g de manteiga
- 150g de amendoim torrado e moído
- 75g de gengibre
- 10g de canela em casca
- 1 fava de baunilha
- 10g de anis estrelado (cerca de 8 unidades)
- 5g de cardamomo
- 1g de cravo
- casca de 1 limão capeta (ou galego)
- suco de 1 limão
- canela em pó para finalizar
Modo de preparo em 8 etapas
- Deixe o milho de molho desde a véspera. No dia seguinte, descarte a água e cozinhe-o em fogo baixo com o leite, acrescentando o líquido aos poucos conforme os grãos aumentarem de volume.
- Prepare uma infusão fervendo o gengibre fatiado em cerca de 200ml de água junto com o cardamomo. Após aproximadamente 25 minutos, tampe a panela e deixe descansar.
- Em outro recipiente, misture a manteiga, o anis-estrelado, a canela em casca, o cravo, a casca de limão e a fava de baunilha aberta. Leve ao banho-maria por cerca de 40 minutos para aromatizar a manteiga com as especiarias.
- Coe a infusão de gengibre e cardamomo, acrescente o açúcar demerara e o suco de limão, levando novamente ao fogo até formar um xarope brilhante.
- Aqueça a manteiga aromatizada com um pouco de leite até levantar fervura. Tampe a panela e reserve para intensificar os aromas.
- Continue mexendo a canjica durante o cozimento, adicionando leite sempre que necessário. Quando os grãos estiverem mais encorpados, incorpore o amendoim moído e cozinhe por mais 15 minutos.
- Acrescente o xarope de gengibre e cardamomo. Depois, coe o leite aromatizado com a manteiga diretamente na panela, descartando as especiarias inteiras. Raspe o interior da fava de baunilha para aproveitar as sementes.
- Deixe cozinhar até atingir a cremosidade desejada. Na hora de servir, finalize com canela em pó e, se desejar, decore com um pralinê de amendoim preparado com açúcar mascavo.
Dicas para uma canjica perfeita
A chef ressalta que o segredo está no uso de especiarias inteiras e no cozimento lento, que permite que os sabores se integrem. “Resgatar a forma tradicional de fazer a canjica é também uma maneira de valorizar sua história e sua identidade”, afirmou Marina Leite. A receita, que serve cerca de 8 porções, pode ser apreciada quente ou fria, e é ideal para festas juninas ou para qualquer ocasião em que se queira um doce autêntico brasileiro.



