O azeite em squeeze é uma versão do produto comercializada em embalagens flexíveis com bico dosador, diferente das tradicionais garrafas de vidro. O formato, que ganhou força nos Estados Unidos e começou a aparecer com mais frequência no Brasil, pode ser alvo de uma dúvida comum: será que essa mudança na embalagem afeta a conservação e a qualidade do azeite? Para esclarecer a questão, o Paladar conversou com a azeitóloga Ana Beloto.
Como a tendência começou?
De acordo com o azeitólogo Sandro Marques, a expansão do azeite em squeeze foi impulsionada internacionalmente pelo sucesso da marca estadunidense Graza. A empresa chamou atenção ao vender azeites extravirgens espanhóis em embalagens inspiradas nas utilizadas por cozinheiros profissionais.
A estratégia também incluiu a separação dos produtos conforme o uso. Um azeite é destinado ao preparo dos alimentos, enquanto outro é indicado para finalizar pratos. O primeiro costuma utilizar azeitonas mais maduras, resultando em um sabor mais suave e maior rendimento. Já o segundo privilegia frutos colhidos ainda verdes, produzindo um resultado mais aromático e intenso.
Mas, afinal, o azeite perde a qualidade?
A preocupação sobre o uso do plástico é respondida pela evolução dos materiais utilizados nessas embalagens. Segundo Beloto, as bisnagas modernas são desenvolvidas com tecnologias de barreira específicas que reduzem a troca de gases e oxigênio com o ambiente externo. É fundamental entender, no entanto, que essas embalagens foram projetadas especificamente para azeites de alto giro, ou seja, para produtos que serão consumidos com frequência, e não para serem estocados por períodos prolongados.
Os cuidados continuam sendo os mesmos
Independentemente da embalagem escolhida, os fatores que degradam o azeite permanecem os mesmos: luz, calor, oxigênio e o passar do tempo. Para garantir a qualidade, é ideal armazenar o squeeze longe de fontes de calor, como o fogão, e consumir preferencialmente em um prazo de 30 a 40 dias após a abertura.



