Dependência do INSS atinge maior nível histórico
De acordo com a pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a dependência do INSS para a aposentadoria nunca foi tão alta. O levantamento, que ouviu 5.832 pessoas em todas as regiões do país entre 4 e 21 de novembro de 2024, mostra que 60% dos brasileiros que ainda não se aposentaram esperam se manter na velhice exclusivamente com o benefício da Previdência Social. Esse percentual é o maior já registrado na série histórica da pesquisa, superando em três pontos o resultado do ano anterior.
Outros 15% dos entrevistados afirmam que continuarão trabalhando e viverão do próprio salário, enquanto 13% pretendem contar com aplicações financeiras. Surpreendentemente, 11% dos brasileiros não sabem de onde virá o dinheiro para a aposentadoria. A previdência privada, produto desenhado para complementar o INSS, foi citada por apenas 5% dos respondentes, evidenciando a baixa adesão a esse tipo de investimento.
Maioria dos benefícios equivale a um salário mínimo
Mesmo com a alta expectativa de dependência do INSS, os números do instituto confirmam que a maior parte dos benefícios pagos é de apenas um salário mínimo, atualmente em R$ 1.621. Em junho deste ano, o INSS depositou 42,1 milhões de benefícios, dos quais 29,1 milhões (69,1%) correspondiam ao piso nacional. Apenas 13.642 beneficiários (menos de 0,04%) receberam o teto previdenciário, de R$ 8.475,55. O valor médio dos depósitos foi de R$ 2.124,72, bem abaixo do necessário para uma aposentadoria confortável.
Segundo a pesquisa da Anbima, 93% dos brasileiros que já se aposentaram afirmam que o dinheiro para o sustento vem exclusivamente do INSS, confirmando a centralidade do benefício público na velhice. A baixa cobertura da previdência privada e a insuficiência do valor médio do INSS reforçam a necessidade de planejamento financeiro individual.
A reserva que não sai do papel
A pesquisa revela ainda que a maioria dos brasileiros não consegue poupar para a velhice. Apenas 16% das pessoas que ainda não se aposentaram começaram a formar uma reserva financeira. Isso significa que 84% não guardaram nada até o momento. Desse grupo, 57% dizem que ainda pretendem começar a poupar, mas 27% afirmam que não começaram e nem pretendem começar.
A fragilidade financeira aparece também no curto prazo. Um em cada três brasileiros (31%) não possui nenhuma reserva de emergência. Entre os que têm algum dinheiro guardado, o fôlego é curto: 20% conseguiriam se manter por no máximo um mês, 43% teriam recursos para até seis meses, e apenas 26% aguentariam mais de seis meses com o que possuem.
Geração Z quer poupar, mas não começou
O recorte por geração mostra que a intenção de poupar é alta entre os mais jovens, mas ainda não se converteu em hábito. Na geração Z (16 a 29 anos), 66% dos entrevistados afirmam que ainda não começaram a formar uma reserva, mas pretendem fazê-lo. Apenas 12% dessa faixa etária já começaram a guardar dinheiro para a aposentadoria. No extremo oposto estão os boomers (65 anos ou mais) que ainda não se aposentaram: 56% deles afirmam que não começaram e não pretendem começar a poupar.
Entre os millennials (30 a 44 anos), 18% já iniciaram a reserva e 58% pretendem começar. Na geração X (45 a 64 anos), os percentuais são de 18% e 49%, respectivamente. Os dados indicam que, apesar da intenção, a poupança para a aposentadoria ainda é um desafio para a maioria dos brasileiros, independentemente da faixa etária.



