Mãe de Lucas Lucco revela volta de alopecia areata e desabafa sobre tratamento caro
Mãe de Lucas Lucco volta a ter alopecia areata e critica custo

Karina Lucco enfrenta nova crise de alopecia areata

A personal trainer Karina Lucco, mãe do cantor Lucas Lucco, revelou que voltou a enfrentar uma crise de alopecia areata. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela contou que, após meses de recuperação, percebeu o surgimento de novas falhas no couro cabeludo em poucos dias e afirmou que seguirá o tratamento apesar da frustração. O relato chama atenção para uma característica marcante da doença: mesmo após períodos de melhora, a alopecia areata pode voltar a ficar ativa.

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, trata-se de uma doença autoimune crônica, de comportamento imprevisível, que não destrói o folículo piloso, mas interrompe temporariamente sua atividade, permitindo que os fios voltem a crescer em muitos casos. Os médicos destacam que cerca de 2% da população desenvolverá alopecia areata em algum momento da vida, aproximadamente uma em cada 50 pessoas.

Impacto psicológico e custo do tratamento

A doença pode provocar forte impacto psicológico, afetando autoestima, identidade visual e saúde mental. Os especialistas reforçam que o desafio para o tratamento deixou de ser exclusivamente científico, pois já há terapias eficazes e aprovadas. No entanto, o alto custo da medicação mais moderna disponível — cerca de R$ 1.800 mensais — e a falta de política pública para a doença ainda fazem com que o tratamento eficaz para casos graves seja inacessível para grande parte da população que sofre com a condição.

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Karina Lucco explicou que foi informada durante consulta médica de que esse tipo de reativação pode ocorrer. Apesar disso, ela afirmou que continuará o tratamento e disse confiar na recuperação.

O que é a alopecia areata?

A alopecia areata é uma doença autoimune na qual o próprio sistema imunológico passa a atacar o folículo piloso, responsável pela produção dos fios. Segundo a tricologista Ludmila Vieira, o folículo não morre, mas entra em uma espécie de repouso. Como não há destruição permanente nem formação de cicatriz, existe potencial de recuperação, que pode chegar a 100% em muitos casos. A doença pode se apresentar de diferentes formas: pequenas falhas arredondadas no couro cabeludo; alopecia total, quando todo o cabelo da cabeça é perdido; alopecia universal, quando ocorre perda dos pelos de todo o corpo, incluindo sobrancelhas e cílios.

O especialista em transplante capilar Pedro Henrique de Almeida destaca que as áreas acometidas costumam apresentar pele lisa, sem vermelhidão ou descamação, e que o cabelo pode voltar mesmo depois de anos, justamente porque o folículo permanece preservado.

Comportamento imprevisível e causas

Os especialistas explicam que a alopecia areata apresenta comportamento imprevisível. Ela pode entrar em remissão espontaneamente, permanecer estável durante anos ou voltar a ficar ativa após períodos de melhora. Segundo Karina Lucco, menos de um ano após iniciar o tratamento e apresentar melhora, surgiram rapidamente novas falhas no couro cabeludo.

Não existe uma causa única. Segundo os especialistas, a doença resulta da combinação entre predisposição genética e fatores ambientais que podem atuar como gatilhos, como infecções, traumas locais e, em algumas pessoas, episódios de estresse emocional. Os médicos ressaltam, porém, que o estresse não é considerado a causa da doença, mas pode atuar como desencadeador em indivíduos predispostos. Também há associação com outras doenças autoimunes, como tireoidite, vitiligo e diabetes tipo 1, além de quadros atópicos.

Quem pode desenvolver e diagnóstico

A doença pode acometer homens, mulheres e crianças, e o risco ao longo da vida é de aproximadamente 2% da população. A prevalência pontual gira em torno de 0,1% a 0,2% e as formas mais graves correspondem a cerca de 5% dos casos. Quando a alopecia aparece muito cedo — antes dos 12 anos ou especialmente antes dos 6 anos — existe maior chance de evolução para formas mais extensas. Cerca de um quinto dos casos começa ainda na infância.

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O diagnóstico costuma ser realizado no consultório por meio da avaliação clínica e do exame do couro cabeludo, com destaque para a tricoscopia, que permite visualizar alterações características como pelos em ponto de exclamação, pontos pretos e pontos amarelos. A biópsia é necessária apenas em situações de dúvida diagnóstica.

Tratamento: avanços e barreiras de acesso

O tratamento varia conforme a extensão e a gravidade da doença. Nos casos leves, podem ser utilizados corticoides tópicos, infiltrações com corticoides ou acompanhamento clínico. Já nos casos mais extensos ou resistentes, os maiores avanços recentes ocorreram com os inibidores de JAK, como ritlecitinibe (Litfulo) e baricitinibe (Olumiant), aprovados pela Anvisa. Esses medicamentos atuam bloqueando a via de sinalização responsável pelo ataque do sistema imunológico ao folículo piloso.

Vieira destaca que o ritlecitinibe foi um divisor de águas no tratamento, mas o alto custo ainda impede que ele chegue a todos que precisam. O custo do tratamento mensal, já com desconto do laboratório, fica em torno de R$ 1.800 e o SUS ainda não disponibiliza o remédio. Em nota ao g1, o Ministério da Saúde informou que ainda não há demanda para a Conitec analisar a incorporação do ritlecitinibe para alopecia areata.

“Estamos lutando bravamente para que essa medicação se torne acessível a todos via SUS, porque quanto mais cedo o tratamento começar, maior a chance de reversão total do quadro”, afirma Vieira.

Caso de criança ilustra desafios

A família da menina Maria Eduarda Miranda vivenciou uma evolução rápida da alopecia areata. Segundo o pai, Rodrigo Miranda, a menina apresentou pequenas falhas no cabelo aos 7 anos. Dois anos depois, perdeu todos os cabelos em apenas 15 dias, além dos cílios e sobrancelhas. Ela sofreu bullying, deixou de frequentar a escola por mais de um mês, fez acompanhamento psicológico por três anos e utilizou antidepressivo. Após tratamentos sem sucesso, iniciou o uso de ritlecitinibe em agosto de 2024 e, cerca de um mês depois, os cabelos começaram a voltar.

Rodrigo busca na Justiça o acesso gratuito ao medicamento. Teve liminares favoráveis, mas até hoje não recebeu o remédio e gasta R$ 1.800 mensais do próprio bolso. “A judicialização ainda é fraca e há poucos casos de êxito, mas essa é uma pauta que já chegou ao Senado”, diz Vieira.