O setor de cuidados com a pele está passando por uma transformação radical em 2026, impulsionado por avanços tecnológicos que vão da inteligência artificial (IA) a dispositivos portáteis de última geração. Essas inovações prometem tornar os tratamentos mais personalizados, eficazes e acessíveis, mudando a forma como consumidores e profissionais abordam a saúde da pele.
Inteligência artificial na personalização de rotinas
A IA tem sido a grande protagonista dessa revolução. Aplicativos e dispositivos equipados com algoritmos de aprendizado de máquina analisam fotos da pele, identificam problemas como acne, rugas e manchas, e recomendam produtos e rotinas específicas. Segundo a consultoria Grand View Research, o mercado global de beleza com IA deve atingir US$ 13,2 bilhões até 2028, com crescimento anual de 20,4%. “A IA permite que cada pessoa tenha um tratamento sob medida, algo que antes era privilégio de poucos em clínicas de alto padrão”, afirma a dermatologista Dra. Carla Mendes, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Dispositivos portáteis e wearables
Outra tendência forte são os dispositivos portáteis, como escovas de limpeza sônica, máscaras de LED e aparelhos de microcorrente. Em 2025, as vendas desses itens cresceram 35% no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Os wearables, como pulseiras que monitoram a exposição solar e a hidratação da pele, também ganham espaço. “A tecnologia vestível está democratizando o acesso a dados que antes só eram obtidos em consultórios”, destaca o engenheiro biomédico Dr. Ricardo Oliveira, da Universidade de São Paulo.
Ingredientes bioativos e nanotecnologia
No campo dos ingredientes, a nanotecnologia permite a entrega direcionada de ativos, como vitamina C e ácido hialurônico, nas camadas mais profundas da pele. Isso aumenta a eficácia e reduz irritações. Startups brasileiras, como a BioSkin, desenvolveram nanopartículas que liberam antioxidantes em resposta ao estresse oxidativo. “Conseguimos criar ‘carregadores inteligentes’ que só liberam o ativo quando e onde ele é necessário”, explica a CEO da BioSkin, Ana Paula Costa. Estudos clínicos mostram que esses produtos têm até 50% mais absorção que as formulações tradicionais.
Impressão 3D de cosméticos
A impressão 3D também chega ao setor, permitindo a criação de máscaras faciais personalizadas com base na anatomia do usuário. A empresa francesa SkinPrint já comercializa no Brasil um serviço que escaneia o rosto e produz máscaras com ingredientes específicos para cada região. O custo, por enquanto elevado (cerca de R$ 200 por unidade), deve cair com a popularização da tecnologia.
Realidade aumentada para testar produtos
A realidade aumentada (RA) está transformando a experiência de compra. Marcas como a Natura e a L’Oréal oferecem aplicativos que permitem testar maquiagem e ver resultados de tratamentos em tempo real, sem necessidade de aplicação física. Segundo a L’Oréal, o uso de RA aumentou em 40% a taxa de conversão de vendas online.
Desafios e futuro
Apesar do otimismo, especialistas alertam para desafios, como a regulação de dispositivos médicos e a segurança dos dados coletados pelos aplicativos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já estuda novas diretrizes para produtos de beleza com tecnologia embarcada. “O futuro é promissor, mas precisamos garantir que a inovação não comprometa a segurança dos consumidores”, pondera a Dra. Mendes.



