Ex-NBA Chase Budinger explica transição para o vôlei de praia no Rio
Ex-NBA Chase Budinger: do basquete ao vôlei de praia no Rio

Ex-jogador da NBA por sete temporadas, Chase Budinger trocou as quadras de basquete pela areia e está no Rio de Janeiro para disputar a etapa do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, montada na Praia de Copacabana, entre 29 de julho e 2 de agosto. Aos 38 anos, o americano compete ao lado de Trevor Crebb na chave principal e revela os bastidores de uma transição esportiva rara e bem-sucedida.

Da NBA para a areia: um plano de longa data

Budinger atuou na NBA por sete anos, defendendo equipes como Houston Rockets, Minnesota Timberwolves, Indiana Pacers e Phoenix Suns. Aposentou-se do basquete em 2017, aos 28 anos, e migrou para o vôlei de praia, esporte que praticava na adolescência. Em entrevista exclusiva ao ge, ele afirmou que a mudança sempre foi planejada: “Esse sempre foi meu plano, e ele foi crescendo, que era ir para o vôlei de praia depois de sair do basquete. Tive a sorte de ter uma boa carreira na NBA e ainda era jovem suficiente para mudar e atuar em alto nível no vôlei de praia.”

Expectativas altas com nova dupla

Sobre a parceria com Trevor Crebb, Budinger está otimista: “O objetivo é sempre conquistar uma medalha nas competições. Sei como é difícil porque cada torneio é diferente, cada adversário. As expectativas são boas, especialmente para mim, jogando com uma nova dupla. Nós fizemos uma boa competição da última vez, então as expectativas estão altas e a confiança também.” Ele acredita que a sintonia vai melhorar com o tempo.

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Torcida brasileira: ‘caldeirão’ e energia especial

Budinger elogia os torcedores brasileiros, mesmo sabendo que estarão contra ele. “Os torcedores brasileiros são incríveis, exceto quando você precisa jogar contra um deles (risos). Mas até isso é divertido, porque você precisa colocar ainda mais energia para se sair bem e calar a torcida contra. Jogar no Rio é sempre muito divertido, a energia é especial.”

Sonho olímpico: Paris 2024 e Los Angeles 2028

Budinger já disputou as Olimpíadas de Paris 2024 no vôlei de praia e sonha com Los Angeles 2028, sua cidade natal. “Será emocionante. Ter a energia de estar em casa e jogar para sua própria torcida vai ser muito divertido. Em Paris, nós tivemos muitos americanos presentes, mas não consigo imaginar como pode ser jogar no meu próprio país.” Ele ressalta que precisa se classificar primeiro.

Desafios da adaptação ao vôlei de praia

A maior dificuldade inicial foi lidar com os elementos naturais. “Estava acostumado a quadras perfeitas em arenas modernas. Precisou lidar com areia pesada, vento forte, chuvas, altas temperaturas, fatores que não podia controlar.” Em apenas seis anos, classificou-se para Paris 2024. “Foi um dos pontos mais altos da minha vida. Ter a chance de alcançar esse objetivo e participar da jornada da classificação para as Olimpíadas, que demanda tanto e é tão dura, foi absolutamente incrível.”

Memória inesquecível: jogo sob a Torre Eiffel

Budinger guarda com carinho a experiência em Paris, especialmente a partida noturna na arena montada diante da Torre Eiffel. “Na entrada, eles apagaram as luzes ao mesmo tempo que as luzes da Torre Eiffel estavam piscando. E ainda tinha um aplicativo que quando todos os torcedores levantavam os celulares, as lanternas também piscavam. A arena inteira estava brilhando. Foi um momento super legal e provavelmente uma das maiores coisas que já me aconteceram.”

Diferenças entre basquete e vôlei: do grupo à dupla

Uma grande diferença está no tamanho da equipe. “No basquete, você tem 14 caras que ficam juntos o tempo inteiro, enquanto no vôlei de praia é você e o outro cara. Então, é mais um relacionamento, se comparado a um tipo de irmandade que nós construímos na NBA.” Ele sente falta do ambiente da NBA e da convivência com os companheiros.

Pancada de LeBron James: uma história inesquecível

Budinger enfrentou LeBron James em quadra e relembra um momento marcante: “Uma vez tentei cavar uma falta nele enquanto ele estava no contra-ataque. Eu estava longe, então eu parei na frente dele, que bateu em mim. Foi tão forte no meu peito que eu senti meu corpo voar para trás, escorreguei até a cesta por uns 12 metros. Fiquei com o peito doendo por três ou quatro dias. Ele é um cara incrível, um atleta incrível.”

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LeBron nos Sixers e a sensação de envelhecer

Questionado sobre a ida de LeBron para o Philadelphia 76ers aos 41 anos, Budinger brincou: “O mais triste para mim é ver que a maioria dos jogadores que eu conheço já não estão mais em ação, e isso me diz que estou ficando velho.”