Recém encerrada a Copa do Mundo de 2026, o auxiliar técnico Cléber Xavier já está focado na próxima edição, em 2030. Desta vez, porém, ele não estará na comissão técnica do Brasil, mas sim da Venezuela, seleção que nunca disputou o torneio. Em entrevista ao ge por telefone, Xavier relembrou as derrotas do Brasil nas Copas de 2018 e 2022, quando foi braço direito de Tite, e detalhou o novo desafio.
O novo desafio na Venezuela
Cléber Xavier aceitou o convite da Federação Venezuelana de Futebol (FVF) em janeiro de 2026, como auxiliar técnico. Ele explica sua motivação: "O que me fez ir para a Venezuela... Eu já vinha acompanhando o trabalho de base deles, os enfrentamentos da equipe principal com o Brasil, os jogadores espalhados pelo mundo. Era a ideia de fazer uma renovação, o desafio de colocar na Copa do Mundo uma seleção que nunca esteve lá."
Xavier viajou para Caracas neste domingo, após passar o último mês no Brasil. Os terremotos que devastaram a Venezuela em junho atrasaram seu retorno ao trabalho na FVF. Ele já havia se mudado para a capital, conforme exigência contratual de quatro anos. A comissão técnica inclui ainda o preparador de goleiros Mario Marín (ex-Colômbia) e o preparador físico Óscar Ortega (ex-Atlético de Madrid e Uruguai).
Integração base-profissional
A FVF inicialmente buscou um técnico sul-americano com experiência em Eliminatórias e Copas, mas não encontrou voluntário. Promoveu então Oswaldo Vizcarrondo, ex-zagueiro com mais de dez anos de seleção — construiu carreira no futebol francês e belga, por Nantes e Standard Liège —, que dirigia a sub-17. O objetivo era integrar o projeto "DNA Vinotinto" da base ao time principal, algo que Xavier considera carente no Brasil.
Xavier critica a desconexão entre categorias no futebol brasileiro: "Não é integrado, deveria ser mais. O maior exemplo que eu falo disso, que quando a gente passou (na seleção principal), a gente tinha uma relação muito forte com outros treinadores, Jardine, Amadeu, Micale, Paulo Victor. A Espanha traz esse exemplo. Isso deveria ter um comando mais unificado, e sempre teve dois, um de base e um profissional. Falta muito ao futebol brasileiro, de maneira geral, a palavra continuidade. Não damos continuidade aos processos. E isso impacta para os resultados virem. A questão dos clubes cederem jogadores, por exemplo."
O papel de 'segundo treinador'
Ele agora se sente o "segundo treinador" da Venezuela, com total liberdade. Após comandar o Santos em 15 jogos em 2025, não considera um passo atrás voltar a ser auxiliar. Seu objetivo é levar a Vinotinto à Copa de 2030. "Me sinto com toda a liberdade para contribuir", afirmou.
Análise da Copa de 2026 e o ciclo do Brasil
Xavier acompanhou a última Copa como espectador. Na sua avaliação, o Brasil pagou o preço por um ciclo de quatro anos ruim, com muitas mudanças. "O principal problema todo mundo sabe, o ciclo não foi bom. Não dá para fazer uma boa seleção sem um ciclo organizado, é difícil. Hoje é fundamental ter. A partir de agora o Ancelotti vai ver (os jogadores), vai fazer uma nova lista larga, com até quatro nomes para cada posição, com as ideias dele... Vai formar uma equipe para chegar na próxima Copa. Aí sim a gente pode ter uma esperança maior", comentou.
Ele também destacou a evolução de outras seleções — como a Argentina, campeã em 2022 — e os desfalques por lesão como fatores que pesaram contra o Brasil em 2026. "O Brasil tinha um potencial, mas as lesões atrapalharam. E o ciclo desorganizado minou a base", concluiu.



