Jeep Avenger: conheça a história dos modelos que marcaram a marca
Jeep Avenger: história dos modelos que marcaram a marca

Pela primeira vez em sua trajetória no Brasil, a Jeep terá um modelo ostentando um título do prestigiadíssimo prêmio europeu Car Of The Year, atualmente em sua 63ª edição. “Carro do Ano” de 2023, o Avenger já é produzido no Polo Automotivo de Porto Real (RJ) da Stellantis e será lançado no próximo mês.

Produção e investimentos

Peça-chave do ciclo de investimentos de R$ 3 bilhões destinados exclusivamente à modernização e expansão da planta sul-fluminense até 2030, o modelo incendiará a disputa entre os SUVs subcompactos, como Volkswagen Tera, Renault Kardian e Chevrolet Sonic. Mas será que o Avenger terá um dia a estatura para se igualar aos modelos mais importantes da história da marca de 85 anos?

Willys MB: a gênese

O Willys MB é o carro que transmitiu o conceito de carro compacto desbravador ao redor do mundo. É tido com um dos heróis da Segunda Guerra Mundial: Dwight D. Eisenhower, general do Exército Americano durante o combate e posteriormente presidente dos EUA (1953 - 1961), elencou o veículo como um dos componentes que garantiram a vitória das Forças Aliadas.

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Brandt Rosenbusch, historiador da Jeep, resume a dimensão do Willys MB: “Acredito que alguém teria inventado algo pelo menos semelhante, mas naquele momento o mundo precisava de algo que não tinha visto antes. Muitas mentes começaram a criá-lo com um propósito: ganhar uma guerra. E o MB deixou uma marca tão forte nas Forças Armadas e no mundo que o governo o desejou em mãos civis o mais rápido possível”, avalia.

CJ-2A: o primeiro civil

Terminada a Guerra, a Willys-Overland assumiu a produção civil do utilitário. “O CJ-2A foi usado para uma incrível variedade de trabalhos: na agricultura, como veículo de entrega e até serviço florestal. Ele atendia todas as necessidades. A Willys chegou a comercializá-lo como o 'Universal', porque era muito versátil”, explica Rosenbusch.

O CJ-2A também foi o primeiro a exibir a grade dianteira com sete fendas (duas a menos que no MB, redução necessária para acomodar faróis maiores), marca registrada dos veículos da Jeep. Em 1986, com mais de 1,5 milhão de unidades fabricadas, o CJ passou o bastão para o Wrangler.

Chegada ao Brasil

No Brasil, sua história começou em 1947, quando as primeiras unidades da família Civilian Jeep passaram a ser importadas e montadas pela Gastal em um galpão em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Fabricados em Toledo, Ohio, os carros chegavam ao porto do Rio de Janeiro semidesmontados e dentro de caixotes. Segundo a Jeep, quase sempre pintados de “cinza-verde” (picket gray) e vendidos nas versões A, B, C e D, conforme a lista de equipamentos.

Fundada em 26 de abril de 1952 em São Bernardo do Campo (SP), a Willys-Overland do Brasil assumiu a montagem do modelo, para em 1957 dar início à sua produção. Que seguiu até 1983, quando a Ford – que havia comprado a conterrânea em 1967 – o descontinuou.

Willys Wagon: precursor dos SUVs

Logo a Willys apostou que haveria forte demanda por variantes daqueles utilitários e em julho de 1946 lançou aquele que seria o parâmetro para os próximos SUVs. Se antes da Guerra modelos similares tinham parte da carroceria em madeira, esta era toda em aço - imune às intempéries, descascamentos e rangidos eram vantagens alardeadas à época, bem como a escotilha na porta traseira.

Capaz de levar sete ocupantes, ganhou tração nas quatro rodas em 1949. Considerando os anos de produção da Rural – sua versão brasileira – foram 35 anos em atividade.

Cherokee: o SUV que pavimentou o caminho

O Jeep Wagoneer abriu a estrada dos SUVs de luxo em 1966, mas foi o Cherokee quem asfaltou, iluminou e sinalizou o caminho a partir de 1974, como uma versão rejuvenescida e esportiva do Wagoneer. Em 1984 apareceu a segunda geração, que apresentou o Cherokee ao mercado brasileiro, icônica com seu estilo quadrado.

No Salão de Detroit de 1992, o que seria a terceira geração acabou sendo a primeira do Grand Cherokee, que se apresentou ao mundo atravessando uma vidraça no Cobo Center, o centro de convenções do evento. Talvez um tanto exagerado, mas o novo modelo acabou bancando todo o estardalhaço com os prêmios de SUV do ano que abocanhara no decorrer do ano.

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Wrangler: herança do CJ

A herança do CJ não é apenas visual. Desde 1986 até hoje, o Wrangler carrega os conceitos do primeiro Jeep civil, como valentia, versatilidade e a certeza de uma viagem que será cumprida. Porém, tecnicamente, há uma grande distância entre ambos, sendo o Wrangler mais confortável, equipado e urbano.

A geração YJ já é um clássico que começa a despontar – embora seus faróis retangulares não tenham agradado os puristas. Na fase TJ, que estreou em 1997, o modelo se consagrou 4x4 do ano, não por ter resgato o estilo do CJ, mas pela desenvoltura on road aliada à capacidade off road.

A versão JK expandiu as possibilidades de carroceria, oferecendo inclusive um modelo e quatro portas. A fase atual, JL, manteve o estilo rústico, mas é o mais dócil dos Wrangler.

Segunda Guerra Mundial: a origem

Tudo começou quando os EUA decidiram entrar na Segunda Guerra Mundial para reforçar o time dos Aliados, composto por Reino Unido, França e União Soviética; contra o Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão.

Em meados de 1940, o Exército americano solicitou que 135 fabricantes se apresentassem para desenvolver um veículo militar inédito. Leve, ágil, capaz de carregar quatro soldados e armamentos, versátil para inúmeras conversões (ambulância, por exemplo) e com tração nas quatro rodas, substituiria motocicletas e cavalos.

Certos requisitos estabelecidos pelo Exército eram irreais, como o peso máximo de 454 quilos e o prazo de 49 dias para construírem um protótipo e mais 70 veículos de teste em 75 dias. Quase ninguém atendeu ao “convite”, exceto Bantam e Willys-Overland – e posteriormente a Ford.

No fim das contas, a urgência em pôr o utilitário no combate relaxou algumas exigências, o carro acabou ficando maior e o peso máximo permitido subiu para 986 kg. A cada uma das três fabricantes foram encomendados 1.500 veículos, que seriam testados na vida real: o da Bantam era o mais econômico, o da Willys – batizado de Military A, sucessor das duas unidades montadas do protótipo Quad - o mais potente e o da Ford o mais fácil de guiar.

Decidiu-se então padronizar o veículo, que basicamente era uma junção das melhores soluções das três fabricantes. Em meados de 1941, o Willys MB (sucessor do MA) começou a ser fabricado. No fim daquele ano, a Ford fora chamada para incrementar a produção com seu GPW.

“Jeep” se tornaria marca registrada pela Willys-Overland apenas em 1950, após longa disputa judicial com a nanica Bantam. Ao fim do combate, a Willys produzira 283 mil exemplares e a Ford, 237 mil. À Bantam coube fabricar carretas, rebocadas pelos utilitários.