Hub aposta em tecnologia própria para acelerar resultados
A inteligência artificial está redefinindo não apenas os produtos, mas a própria natureza das empresas. Quanto mais uma organização incorpora IA a seus processos, maior sua capacidade competitiva. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser mero suporte e assume papel estratégico na definição do negócio.
"Eu não acredito mais em negócios de longo prazo se não tiverem tecnologia agregada ao seu corpo", afirma Rita Nunes, presidente da Hub, empresa de comunicação que há 22 anos investe em recursos digitais como diferencial, concentrando internamente o desenvolvimento de soluções.
Plataformas próprias como diferencial competitivo
A estratégia se traduz no desenvolvimento de plataformas próprias para promoções, programas de benefícios e experiências digitais de grandes marcas, especialmente do setor financeiro. Em vez de recorrer a fornecedores externos, a Hub concentra internamente criação, desenvolvimento de software, operação e gestão de dados, visando ampliar mercados, acelerar entregas e criar diferenciais difíceis de replicar.
Apesar disso, Nunes evita classificar a Hub como empresa de tecnologia. Para ela, trata-se de uma empresa de comunicação que encontrou no desenvolvimento interno de plataformas uma forma de proteger o negócio, acelerar a inovação e expandir a atuação.
Inteligência artificial integrada, mas sem substituir o humano
A IA já está presente em praticamente todas as áreas, da criação ao planejamento, passando pela gestão e desenvolvimento de software. Contudo, está longe de substituir o julgamento humano. Liderança, gestão de pessoas, criatividade, curadoria e a capacidade de gerar "grandes ideias" continuam dependendo da experiência e visão estratégica dos profissionais.
Para conciliar a velocidade do marketing com padrões de segurança, a Hub inclui equipes de tecnologia desde a concepção dos projetos. Especialistas em segurança participam da criação das campanhas, permitindo que inovação e conformidade avancem em paralelo, sem comprometer prazos ou proteção de dados.
Resultados em tempo real e agilidade na ponta
Essa integração permite acompanhar o desempenho das campanhas em tempo real, medir resultados com precisão e corrigir rotas rapidamente. Os ganhos aparecem na velocidade de resposta ao cliente. "Hoje o cliente não quer só a campanha, ele quer resultado", afirma Nunes. Segundo ela, "no dia seguinte, o cliente já quer saber quantas pessoas se cadastraram e se está dentro da curva prevista", para que ajustes possam ser feitos.
Para o consumidor final, o benefício é uma experiência mais simples e rápida. Daniel Sbragia, CTO da Hub, explica que a tecnologia permite, por exemplo, que um participante se cadastre em uma promoção em segundos, envie comprovantes automaticamente e receba confirmação quase em tempo real.
Investimento estratégico e crescimento com IA
Desenvolver tecnologia internamente deixou de ser custo para se tornar investimento estratégico. Segundo Sbragia, "A gente desenvolvia, por semana, 6 mil linhas de código; agora, com a IA, são 30 mil". Para ampliar a credibilidade, a Hub investiu durante três anos e, em abril, conquistou a certificação internacional PCI, associada a rigorosos padrões de segurança para processamento de dados de pagamento, permitindo atuar em projetos mais complexos, especialmente no setor financeiro.
Apesar dos avanços, Nunes afirma que ainda há espaço para ampliar o uso da tecnologia, especialmente no varejo, automatizando a captura e análise de dados para gerar indicadores mais rápidos e precisos sobre o desempenho das ações de marketing.
Perfil dos profissionais e valorização do capital humano
A transformação tecnológica também mudou o perfil dos contratados. Segundo Sbragia, a empresa passou a priorizar pessoas capazes de gerir plataformas apoiadas por IA e que entendam do negócio. Contrariando o mercado, a Hub continua admitindo profissionais iniciantes, apostando na formação de talentos e na combinação entre experiência, visão de negócio e domínio de novas ferramentas.
Para Nunes, a inteligência artificial aumenta a produtividade, mas torna ainda mais valiosa a capacidade intelectual das pessoas. "Hoje temos uma equipe maior do que no ano passado, mesmo com mais ferramentas", afirma. Segundo ela, como cada projeto pode exigir uma solução diferente, continuam decisivos o pensamento analítico, a experiência e a capacidade humana de interpretar contextos e tomar decisões.
Tecnologia como competência estratégica
O caso da Hub ilustra como a tecnologia, potencializada pela inteligência artificial, deixa de ser diferencial exclusivo de empresas de tecnologia e passa a ser competência estratégica em praticamente qualquer setor. As empresas que enxergarem a IA apenas como ferramenta de produtividade ganharão eficiência, mas as que a transformarem em parte do próprio modelo de negócio terão mais chances de redefinir seus mercados.



