A estreia de Matthieu Blazy na Chanel reacendeu o entusiasmo em um mercado de luxo que enfrenta desaceleração após anos de fortes aumentos de preços. Lançada em março, a nova coleção gerou filas em lojas da marca em cidades como Nova York e Paris e viralizou nas redes sociais, com vídeos de consumidores exibindo produtos como bolsas tote de couro de vitelo de mais de € 9 mil.
Impacto Imediato e Viralização
O vestido de noiva usado pela cantora Dua Lipa, um design exclusivo de Blazy com 480.000 miçangas, ajudou a estabelecer um novo momento para a marca francesa. Esse sucesso inicial da nova fase da Chanel, porém, aumentou a pressão sobre concorrentes — especialmente a Dior, da LVMH, que também passa por uma reformulação criativa sob o comando de Jonathan Anderson. Em um ambiente de crescimento mais fraco, analistas avaliam que o avanço de uma marca pode ocorrer às custas de outra, em um cenário descrito como um “jogo de soma zero” no setor.
Desempenho Financeiro e Projeções
Ao jornal Financial Times, a Chanel reportou que as vendas da companhia avançam bem em 2026 — acima da projeção de crescimento de 2,5% para a indústria de luxo no ano, de acordo com o Morgan Stanley. O banco estima que, se a marca crescer 10% neste ano, poderá responder por cerca de 30% de toda a expansão global do segmento de moda e artigos de couro de luxo.
Para analistas do Morgan Stanley, a recuperação da Chanel em um contexto de baixa demanda tende a pressionar rivais como a Dior. A casa controlada pela LVMH teve queda de 2% nas vendas da divisão de moda e artigos de couro no primeiro trimestre, frustrando expectativas de uma retomada mais forte após dois anos de recuo.
Estratégias Divergentes
A Dior, por sua vez, adota um discurso de longo prazo. A CEO, Delphine Arnault, afirmou que mudanças de direção criativa exigem tempo e disse que as coleções de Jonathan Anderson estão tendo bom desempenho, especialmente na categoria de bolsas femininas. Fontes ouvidas pelo jornal afirmam que as vendas de bolsas da marca aceleraram em maio e junho, com boa recepção de novos modelos e melhora também na China.
Especialistas apontam que as duas grifes estão seguindo estratégias diferentes. Enquanto Blazy apostou em impacto imediato, com produtos de forte apelo comercial e visual claro, Anderson vem refinando aos poucos a nova identidade da Dior, buscando equilibrar a herança da maison com sua linguagem própria. Com isso, enquanto a abordagem da Chanel gera tráfego imediato nas lojas, a da Dior tende a construir percepção de marca de forma mais gradual.
Pressão nos Preços e Concorrência
Mesmo tentando recuperar consumidores, ambas seguem elevando preços. Dados da Luxurynsight mostram que a nova linha de artigos de couro da Chanel chegou às lojas com preços, em média, 10% maiores que os da coleção anterior. Na Dior, o aumento foi ainda mais forte: 19% em média, chegando a 23% no caso das bolsas.
Para analistas, esse ciclo de reajustes ajuda a explicar a perda de fôlego do mercado de luxo e a intensificação da disputa entre grandes marcas. Em um setor que já não cresce como antes, ganhar participação passou a depender menos da expansão natural da demanda e mais da capacidade de conquistar clientes dos concorrentes. Nesse contexto, a “mania Blazy” virou não apenas um impulso para a Chanel, mas também um novo teste para a Dior.



