A BMW divulgou nesta quinta-feira que a margem EBIT de sua divisão automotiva atingiu 2,3% no segundo trimestre, resultado ligeiramente acima das projeções dos analistas. A montadora alemã beneficiou-se da forte demanda por novos modelos e de medidas de redução de despesas, apesar de um cenário global desafiador.
Resultados superam expectativas, mas recuam ante 2025
A margem de 2,3% representa uma queda significativa em relação ao mesmo período do ano anterior, mas ficou dentro da faixa projetada pela própria empresa para 2026, de 1% a 3%, e superou as estimativas do mercado. O diretor financeiro Walter Mertl destacou que a concorrência na indústria automobilística global se intensificou consideravelmente. Ainda assim, novos veículos como o SUV elétrico iX3, primeiro modelo da plataforma Neue Klasse, e o sedã esportivo i3, lançado em junho, continuam apresentando boa demanda.
As ações da BMW subiam 0,7% nas primeiras negociações em Frankfurt, mas acumulam queda de aproximadamente um terço no ano.
Desafios globais e programa de cortes de custos
A montadora bávara segue o movimento de concorrentes como a Mercedes-Benz ao acelerar a redução de custos diante de múltiplos desafios: desaceleração na China, tarifas dos Estados Unidos, impacto das tensões no Oriente Médio sobre a confiança do consumidor e valorização cambial desfavorável. Segundo a empresa, as tarifas de importação nos EUA e na Europa reduziram a margem EBIT em cerca de 1,25 ponto percentual no segundo trimestre.
Após economizar € 2,5 bilhões no ano passado, a principal frente de corte de custos agora é um plano para eliminar 8 mil postos de trabalho, aproximadamente 5% da força de trabalho global. Nesta semana, a BMW firmou acordo com representantes dos funcionários para oferecer pacotes de desligamento voluntário. A empresa também cancelou sua participação no Salão do Automóvel de Paris como parte do esforço de redução de despesas.
Perspectivas e visão de analistas
O analista Harald Hendrikse, do Citigroup, afirmou: “O declínio das vendas na China teve um efeito dramático sobre a rentabilidade automotiva da BMW e, apesar do contínuo otimismo da empresa, não vemos recuperação para a BMW e suas concorrentes nessa região.” Segundo ele, a montadora precisará melhorar significativamente sua rentabilidade na Europa e nos Estados Unidos.
Em discurso preparado, o CEO Milan Nedeljkovic declarou que a BMW pretende retornar à meta histórica de margem EBIT entre 8% e 10% até o início da próxima década. “A indústria automotiva enfrenta desafios que se intensificam rapidamente. Por isso, é importante ser enxuto e ágil”, afirmou o executivo. Mertl acrescentou que as medidas de corte de custos estão ganhando velocidade com o uso crescente de inteligência artificial na área de desenvolvimento.
Desempenho na China e concorrência asiática
Além da China, a concorrência impulsionada por exportações de montadoras chinesas como a BYD aumentou em toda a região Ásia-Pacífico, pressionando as vendas globais da BMW. Ainda assim, a empresa registrou crescimento na Europa e nos Estados Unidos, com entregas avançando quase 12% no segundo trimestre. A BMW manteve sua projeção para 2026, divulgada no mês passado, que a coloca como potencialmente a menos rentável entre as grandes montadoras europeias.
O maior desafio continua sendo a China, principal mercado individual da BMW. A combinação da concorrência crescente de fabricantes locais como a Xiaomi, especialmente em veículos elétricos, e a crise do setor imobiliário tem pressionado todas as montadoras que atuam no país. No segundo trimestre, as vendas de veículos da BMW na China ficaram abaixo das registradas nas Américas pela primeira vez em uma década, evidenciando a deterioração de sua posição no maior mercado automotivo do mundo.



